EFE/José Jácome
EFE/José Jácome

Assembleia da SIP discute violência contra jornalistas e ataque à mídia

Evento da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), que acontece em Salta, na Argentina, vai reunir editores e jornalistas de mais de 1.300 veículos jornalísticos do continente

O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2018 | 05h00

O cerceamento à liberdade de expressão de empresas midiáticas e o aumento da violência contra jornalistas na América do Sul. Estes serão os principais tópicos que vão ser discutidos a partir desta sexta-feira, 19, na  a 74ª Assembléia Geral da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), que acontece em Salta, na Argentina, até a segunda-feira, dia 22.

"Não há sociedade que possa progredir sem o jornalismo independente, e ele está cada vez mais ameaçado e perseguido”, afirmou nesta semana o presidente da Associação Interamericana de Imprensa, Gustavo Mohme.

Entre janeiro e outubro de 2018, 29 jornalistas foram assassinados em todo o continente americano, registrando uma das taxas mais altas na história recente. O México foi o país com o maior número de vítimas - 11, seguido por 6 mortes nos Estados Unidos, 4 no Brasil, 3 no Equador, 2 na Guatemala e 1 na Nicarágua.

Além disso, um jornalista haitiano está desaparecido. A violência contra os profissionais da imprensa será um dos principais tópicos do evento. "O assassinato é o culminar dos atos de  violência contra a imprensa, que em muitas ocasiões começa com ameaças e agressões físicas", disse Gustavo Mohme, assegurando que a proteção dos jornalistas e a resolução judicial dos casos de violência são assuntos de alta prioridade para a organização.

Mohme, diretor do jornal peruano La República, acrescentou "que a impunidade que geralmente cerca as agressões e os assassinatos em mais de 90% dos casos agrava a sensação de desproteção dos jornalistas, mais ainda se trabalham no interior dos países". Para ele, a maneira de reduzir tal impunidade é através de  “investigações rápidas, independentes, exaustivas e técnicas”.

A SIP reúne mais de 1.300 veículos jornalísticos do continente, com executivos de jornais de todos os países reunidos para salvaguardar a liberdade de opinião e imprensa, defender o jornalismo profissional e enfrentar as ameaças que os jornalistas enfrentam em vários países. 

A atual violência sofrida por jornalistas na Venezuela e na Nicarágua, o ataque do presidente Donald Trump à grande mídia e os assassinatos de jornalistas cometidos pelo crime organizado, sinais de uma vulnerabilidade institucional na região, também serão assuntos debatidos nesta Assembleia. 

Haverá mesas discutindo a transformação do jornalismo causada pela tecnologia digital, notícias falsas, o "direito ao esquecimento", privacidade e fluxo de informações, além de cursos de jornalismo de dados e inovação digital.

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