Assembléia dos Bispos abre com esperança de paz e justiça

Esperança, paz e justiça. Diante do inquietante cenário internacional, essas são as palavras que movem a 10° Assembléia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, cujos trabalhos iniciaram nesta segunda-feira no Vaticano e vão até o fim do mês. Lá estão representados os 4.390 bispos do mundo todo por meio de 247 delegados que discutirão o papel do espiscopado na sociedade do novo milênio. "O tema da esperança abre uma possibilidade na atual conjuntura, de uma palavra clara, firme e promissora sobre a paz", comentou d. Luciano Mendes de Almeida, arcebispo de Mariana, e um dos seis delegados brasileiros que participam das reuniões. Segundo d. Luciano, que trabalhou cinco anos na preparação desse sínodo, é necessário falar de paz, não apenas no sentido de evitar a guerra, mas para eliminar a injustiça. Entre os valores que vão ser considerados pelos bispos e devem alimentar a sociedade moderna do episcopado, está a superação da desigualdade entre ricos e pobres. "Uma situação que nada tem de fraterno ou de cristão e que não representa um futuro para a humanidade." A opção pelos pobres e a negação dos valores terrenos por parte dos bispos, para que a mensagem seja mais eficaz, foram o tema central da homilia do papa na cerimônia de abertura do sínodo. Os trabalhos do sínodo foram abertos na presença do papa, pelo prefeito da congregação para os bispos, cardeal Giovanni Battista Re, pelo secretário-geral do sínodo, cardeal Jan Schotte, e pelo relator, cardeal Edward Egan, arcebispo de Nova York. O texto integral do que for dito nas reuniões não é divulgado. Apenas uma síntese chegará à imprensa. Entre os temas mais delicados estão as mudanças estruturais da igreja católica como maior participação dos bispos nas decisões da Santa Sé e a discussão do primado do papa. "Muitos esperam modificações na igreja, mas nesse momento o que importa é o mundo e não a reforma da igreja. Estamos aguardando palavras de esperança", disse d. Luciano.

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