Assembleia venezuelana aprova reeleição ilimitada

Mas pesquisas indicam que o presidente Hugo Chávez terá dificuldade de obter aval da população para se candidatar novamente

REUTERS E AFP, O Estadao de S.Paulo

15 de janeiro de 2009 | 00h00

A Assembleia Nacional venezuelana, totalmente controlada pelo governo, aprovou ontem à noite a proposta de emenda constitucional que permite reeleições presidenciais ilimitadas - que beneficia o presidente Hugo Chávez. A decisão será transmitida ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE), que terá 30 dias para convocar os 17 milhões de eleitores que decidirão referendo se aprovam ou não a emenda. Dos 167 deputados da Assembleia, apenas 6 votaram contra a proposta e 5 se abstiveram.Mas pesquisas indicam que a pretensão de Chávez pode ser barrada nas urnas. Em dezembro, 56,8% dos entrevistados pretendiam votar contra a emenda constitucional, enquanto 41,8% se declaravam favor, segundo a Consultores 21. Também em dezembro, segundo a empresa Datanalisis, 52% dos venezuelanos votariam pelo "não" e 37,7% pelo "sim". Chávez, cuja aprovação atualmente é de 60%, está no poder há dez anos. Ele está em seu segundo mandato sob a atual Constituição, aprovada em 1999. Sob a Carta anterior, ele venceu a eleição de 1998. Em dezembro de 2007, o presidente venezuelano sofreu seu primeiro grande revés eleitoral ao não conseguir aprovar uma reforma constitucional numa consulta popular. Em um de seus pontos principais, a reforma derrotada previa a possibilidade de reeleições ilimitadas. Se perder de novo, ele não poderá se candidatar novamente nas próximas eleições, em 2013."Que sou eu? Imprescindível? Não. Só que mudar de gabinete ou de capitão quando ainda não estão consolidadas as etapas de maturação de um processo é sumamente arriscado", declarou Chávez na terça-feira na Assembleia, em seu discurso anual à nação, que durou sete horas.Enquanto os deputados debatiam a proposta chavista, centenas de estudantes protestavam ontem em vários pontos da capital. "Estamos protestando porque 167 deputados da Assembleia Nacional estão reunidos não para discutir a realidade da Venezuela, mas um capricho presidencial", disse Rafael Bello, membro conselho universitário da Universidade Católica Andrés Bello.A proposta debatida pelos parlamentares possibilitaria também a reeleição ilimitada dos prefeitos, governadores, vereadores e deputados venezuelanos. A ampliação do alcance da proposta responde um pedido de Chávez.Para Saúl Cabrera, diretor da Consultores 21, a inclusão de todos os cargos eletivos na proposta é uma estratégia de Chávez para reduzir a resistência dos eleitores. "Há uma percepção de que se trata de uma proposta egoísta e individualista. Com a ampliação aos demais cargos, busca-se despersonalizar a questão da reeleição."

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