Assentamentos recebem mais verbas que municípios

Estudo mostra que governo israelense privilegia ajuda financeira a colônias judaicas instaladas na Cisjordânia

Reuters, JERUSALÉM, O Estadao de S.Paulo

22 de julho de 2009 | 00h00

Os assentamentos judaicos na Cisjordânia recebem mais ajuda financeira do governo de Israel do que os municípios israelenses em geral, de acordo com um estudo publicado ontem pela Rede de Medidas Europeias e Israelenses, um projeto do Centro Macro de Economia Política, com sede em Tel-Aviv, criado para desenvolver os laços entre Israel e União Europeia.A população dos assentamentos também cresce em um ritmo três vezes maior do que a dos demais municípios israelenses, afirma o relatório. Os EUA pedem que Israel interrompa a ampliação dos assentamentos para que possam ser retomadas as negociações de paz com os palestinos e seja firmado um acordo capaz de determinar o destino das colônias."Enquanto os municípios israelenses recebem do governo 34,7% de seus recursos e obtêm outros 64,3% a partir de sua própria arrecadação, os assentamentos recebem 57% do governo e complementam seu orçamento com apenas 42,8% dos próprios recursos", diz o estudo.A pesquisa mostrou ainda que o governo israelense envia para as colônias na Cisjordânia 4,1% de todo o orçamento destinado aos municípios, apesar de os assentamentos abrigarem apenas 3,1% do total da população israelense.O estudo também avalia em cerca de US$ 18 bilhões o valor de todas as construções nos assentamentos, alguns dos quais são cidades-dormitório desprovidas de uma indústria local capaz de representar uma fonte significativa de arrecadação.A análise do estudo mostra que o período áureo da construção de assentamentos ocorreu entre 1977 e 1983, sob o governo do primeiro-ministro Menachem Begin, quando mais de 56% deles foram construídos. "A atividade de construção de diminuiu após 1985." Na primeira década pós-Guerra dos Seis Dias, a atividade se limitou a áreas de pequena população palestina, mas foi posteriormente ampliada para regiões densamente povoada pelos palestinos.A maior parte das construções tem função residencial - são habitações de três ou quatro quartos. O total da população judaica dos assentamentos chegou a 276 mil habitantes no final de 2007. Com uma média de idade de 20 anos, trata-se do segmento mais jovem da população israelense."Nas últimas duas décadas, apesar do andamento das negociações de paz, a população dos assentamentos na Cisjordânia mais do que dobrou, apresentando uma taxa de crescimento muito superior àquela da população israelense em geral", afirma o documento. "Esse aumento seria impossível sem o apoio ativo de todos os governos israelenses do período."

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