Andrew Caballero-Reynolds / AFP
Andrew Caballero-Reynolds / AFP

Impeachment: comportamento de Trump em ligação a Zelenski foi 'inadequado', diz assessor

Alexander Vindman, especialista do Conselho Nacional de Segurança da Casa Branca sobre a Ucrânia, criticou o pedido do presidente americano para que seu colega ucraniano Volodmir Zelenski investigasse Joe Biden

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2019 | 16h49

WASHINGTON - O principal especialista do Conselho Nacional de Segurança da Casa Branca (NSC, em inglês) sobre a Ucrânia, Alexander Vindman, considerou nesta terça-feira, 19, durante testemunho no Congresso, "inadequado" o suposto pedido feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao presidente ucraniano, Volodmir Zelenski, que investigasse seu rival político, Joe Biden.

Para Entender

O processo que pode levar ao impeachment de Trump

É possível que o presidente americano seja deposto? Como ficam as eleições americanas de 2020? Fique por dentro dessas questões com este conteúdo especial

"Eu estava preocupado com a ligação. O que ouvi foi inapropriado. Era inapropriado para o presidente dos Estados Unidos exigir que um governo estrangeiro investigasse um oponente político", disse Vindman, durante audiência pública na investigação da Câmara dos Deputados para abrir um julgamento político contra Trump.

As investigações da Câmara buscam determinar se Trump bloqueou intencionalmente a entrega de ajuda militar de US$ 400 milhões à Ucrânia para conseguir uma investigação em Kiev sobre os negócios do ex-presidente Biden e seu filho Hunter naquele país.

Em seu depoimento, Vindman argumentou que este ano ele percebeu que o então procurador-geral ucraniano, Yuri Lutsenko, e o advogado pessoal de Trump, Rudy Giuliani, "promoveram uma narrativa falsa que prejudica a política dos EUA na Ucrânia".

O tenente-coronel do Exército também quis deixar claro que os militares servem o país, não "qualquer partido político em particular". Além disso, Vindman descreveu como "repreensíveis" os ataques a funcionários públicos que estão testemunhando no Congresso.

"Gostaria de dedicar um momento para reconhecer a coragem dos meus colegas que compareceram e estão programados para comparecer perante essa comissão. Quero deixar claro que os ataques vis contra esses funcionários públicos distintos e honrados são repreensíveis", disse Vindman.

Para Entender

Qual a relação de Joe Biden com a Ucrânia no escândalo do impeachment de Trump

Filho do ex-vice presidente dos EUA trabalhou durante anos em empresa ucraniana e Trump o acusa de interferir em investigações para interesse próprio

Principal especialista da Casa Branca sobre Ucrânia, ele ouviu pessoalmente a ligação realizada no dia 25 de junho, na qual Donald Trump pediu a Zelenski que investigasse Biden e alertou seus superiores sobre o caso, pois considerou que seu pedido "não era apropriado".

O testemunho de Vindman é especialmente relevante, pois foi ele quem quebrou o argumento de Trump de que todas as testemunhas da investigação tinham informações de "segunda ou terceira mão" sobre suas supostas pressões sobre Kiev.

Por sua parte, Jennifer Williams, assistente do vice-presidente Mike Pence, e que também testemunhou nesta terça-feira, disse que a ligação entre os dois presidentes era "incomum pois, ao contrário de outras ligações presidenciais, envolvia uma discussão sobre o que parecia ser um questão política interna".

Alexander Vindman e Jennifer Williams são dois dos oito funcionários que testemunharão esta semana no Congresso sobre o "caso da Ucrânia". / EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.