Assessor da campanha de Santos renuncia após denúncia de suborno

Juan José Rendón é acusado de receber US$ 12 milhões para mediar rendição de narcotraficantes com o governo

O Estado de S. Paulo,

06 Maio 2014 | 10h51

BOGOTÁ - Um assessor de comunicação da campanha eleitoral do presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, renunciou na segunda-feira 5, a menos de três semanas para a eleição, após ser acusado por um traficante de drogas de receber US$ 12 milhões em 2011 para mediar com o governo a rendição de quatro chefes do tráfico.

O venezuelano Juan José Rendón, estrategista chave da comunicação em 2010, na primeira campanha presidencial de Santos, negou as acusações em comunicado e disse que são parte de um plano para manchar a reputação do presidente antes da eleição de 25 de maio, quando ele tenta a reeleição. "Decidi renunciar voluntariamente ao meu cargo para não me transformar em um instrumento dos inimigos da paz, que buscam destruir a credibilidade do presidente", escreveu Rendón.

Crítico do governo venezuelano, Rendón também trabalhou na campanha do presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, em 2012.

Santos aceitou a renúncia do assessor e disse ter recebido por meio de Rendón a proposta de rendição dos traficantes em questão, mas afirmou que nenhum acordo foi feito porque os homens se recusaram a se entregar às autoridades sem uma contrapartida. "Eu acredito que Rendón já disse não ter recebido um peso e até que me seja mostrado o contrário, eu acho que ele deve receber crédito."

A denúncia contra o assessor foi feita na revista colombiana Semana, no sábado 3, pelo narcotraficante Javier Antonio Calle Serna, integrante da gangue Rastrojos que se rendeu a autoridade americanas em 2012. Ele disse ter pago US$ 12 milhões para Rendón interceder junto ao governo e prevenir a extradição dele e outros três traficantes para os EUA.

"Nunca recebi um centavo de pessoas à margem da lei", disse Rendón em seu comunicado. Antes de renunciar, o assessor disse que a acusação do traficante é parte de um plano de desprestígio liderado pelo presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

O presidente colombiano enfatizou que sua administração não negocia com narcotraficantes. "Não so recebo e os submeto à Justiça. Eles não aceitaram os termos da promotora (Viviane Morales) e preferiram se entregar a autoridades americanas. Hoje estão atrás das grades ou embaixo da terra."

A acusação também envolve a entrega dos traficantes Diego Pérez Henao, conhecido como Diego Rastrojo, Daniel "El Loco" Barrera e Pedro Guerrero, conhecido como "Cuchillo". Henao e Barrera continuam preso nos EUA e Guerrero morreu em dezembro de 2010 durante ação policial para capturá-lo.

Esse é o primeiro escândalo que sacode a campanha eleitoral de Santos. "A última coisa que quero é atrapalhar a campanha do doutor Juan Manuel Santos, pessoa que admiro e respeito profundamente. É óbvio que esse escândalo obedece a um complô para conseguir isso", afirmou o assessor em sua carta de demissão.

Pesquisa. Há uma grande expectativa de que Santos seja reeleito para um segundo mandato de quatro anos. Ele deu início a uma negociação de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) há 18 meses, em um esforço para encerrar um conflito que dura 50 anos e matou mais de 200 mil pessoas.

No entanto, pesquisa divulgada na segunda-feira 5 mostrou que Santos não se reelegeria no primeiro turno e enfrentará uma difícil disputa com seus rivais. No primeiro turno, Santos obteria 27% dos votos, um aumento de 4 pontos em relação ao levantamento feito em março pelo instituto Cifras y Conceptos. Oscar Iván Zuluaga, ex-ministro da Fazenda e crítico da negociação com as Farc, aparece em segundo lugar com 19%./ REUTERS

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.