Assessor de Abbas acusa o Hamas de provocar crise política

O porta-voz do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, Ahmed Abdel Rahman, acusou neste sábado o grupo islâmico Hamas de provocar uma crise política com suasatuações à frente do Governo palestino."A crise está aumentando porque o Hamas, que chegou ao poder de forma democrática, agora se mantém à margem de qualquer questão relacionada à democracia", afirmou Abdel Rahman em declarações à emissora de rádio "A Voz da Palestina".Abdel Rahman disse que o Hamas se verá obrigado a moderar sua posição e a respeitar as exigências da comunidade internacional - que demanda o reconhecimento de Israel e a aceitação dos acordosassinados por israelenses e palestinos - devido às pressões da população."A greve declarada pelos funcionários públicos e as manifestações conseguirão ensinar a todas as facções políticas e ao Hamas que devem perseguir o interesse nacional", disse o assessor de Abbas e membro do movimento nacionalista Fatah. ManifestaçãoMilhares de funcionários públicos se manifestaram hoje em frente aos escritórios do presidente palestino na Cidade de Gaza para protestar contra a falta de pagamento de seus salários, em meio a reivindicações pela destituição do primeiro-ministro, Ismail Haniyeh.Por sua parte, Abbas disse neste sábado no Cairo, após reunir-se com o presidente egípcio, Hosni Mubarak, que os esforços para formar um governo palestino de união nacional que seja aceito pelo Ocidente chegaram a "um ponto morto". Abbas fez tais afirmações depois de o primeiro-ministro Haniyeh reiterar ontem a posição do Hamas de que não reconhecerá Israel e não liderará um governo que aceite este ponto.No início do mês, Abbas e Haniyeh chegaram a um acordo de princípios sobre a formação de um Governo de união nacional com o objetivo fundamental de estabelecer um Estado palestino junto ao de Israel, o que de fato implica no reconhecimento do Estado Judeu. "Voltará a haver dinheiro nos cofres públicos apenas quando o governo e a Presidência se comprometerem com um programa político que respeite a legitimidade árabe e internacional", disse Abdel Rahman.O funcionário palestino argumentou que o Hamas "chegou ao poder através da ANP, que foi estabelecida graças às negociações" com Israel. "Por esta razão, todos os Governos devem respeitar os acordos alcançados pela ANP", acrescentou.Abdel Rahman mencionou que as negociações para a formação do novo Executivo serão retomadas quando Abbas retornar aos territórios palestinos, depois das reuniões dos últimos dias com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, em Washington, da participaçãona Assembléia Geral da ONU, em Nova York, e da visita ao Egito."O povo palestino e as facções não têm outra alternativa a não ser formar um Governo de união nacional", assinalou Abdel Rahman, acrescentando que se trata da "única forma de pressionar Israel paraque cesse suas agressões e a ocupação". O porta-voz do gabinete palestino do Hamas, Ghazi Hamad, também confirmou à emissora palestina que as negociações sobre a formação do governo serão retomadas quando Abbas retornar. "Quando chegar (Abbas), espero que possamos iniciar ou retomar(os contatos) no ponto onde foram deixados antes que Abbas viajasse aos EUA", afirmou.

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