Reprodução/Twitter Ernesto Araújo
Reprodução/Twitter Ernesto Araújo

Assessor internacional de Bolsonaro ataca reunião no Uruguai que buscou acordo na Venezuela

Filipe Martins usou a conta no Twitter para criticar eventual diálogo proposto por Montevidéu para mediar conflito entre opositores e Nicolás Maduro

Lu Aiko Otta, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2019 | 12h12

BRASÍLIA - O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Filipe Martins, usou há pouco sua conta na rede social Twitter para criticar a reunião, realizada ontem no Uruguai, que discutiu uma mediação entre o governo e a oposição na Venezuela.

“O ‘Mecanismo de Montevidéu’ é o sonho de Maduro”, escreveu, referindo-se a Nicolás Maduro, cuja presidência não é mais reconhecida pelo Brasil. “Apela ao ‘diálogo entre governo e oposição’, — só que Maduro não é mais governo, e sim usurpador, e a oposição não é mais oposição, e sim governo interino legítimo, conforme a constituição da Venezuela.”

Ontem, o chanceler Ernesto Araújo já havia mostrado reservas à iniciativa. O Brasil não participou da reunião, explicou ele, porque ela colocava Maduro e o presidente reconhecido pelo governo brasileiro, Juan Guaidó, em pé de igualdade. “Achamos que esse não é um ponto de partida.”

O grupo que se reuniu no Uruguai, chamado Grupo Internacional de Contato, é formado por França, Alemanha, Itália, Reino Unido, Portugal, Espanha, Suécia, Uruguai, Bolívia, México, Equador e Costa Rica. Na reunião de ontem, o México barrou a inclusão, na declaração final, de um apelo pela realização de novas eleições na Venezuela.

No Twitter, Martins avaliou que qualquer solução de meio termo na Venezuela “só beneficia os tiranos”. Ele também diz que a iniciativa de buscar o entendimento parte de “premissas erradas”.

“A  manutenção do regime no poder significa mais sofrimento, mais fome e mais mortes”, afirma. “Todo mecanismo de diálogo deve ter um só assunto: as condições da saída de Maduro e o respeito ao que determina a constituição venezuelana sobre a transição de poder em situações como a atual.”

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