Andrew Caballero-Reynolds / AFP
Andrew Caballero-Reynolds / AFP

Assessor militar que testemunhou contra Trump em impeachment é afastado da Casa Branca

Ele afirmou durante o inquérito de impeachment que Trump fez um pedido impróprio ao presidente ucraniano em um telefonema de julho que se tornou a peça central da investigação do presidente republicano

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2020 | 19h51

WASHINGTON - O governo Donald Trump afastou nesta sexta-feira, 7, o tenente-coronel do Exército Alexander Vindman, o principal especialista da Casa Branca em Ucrânia, depois de seu testemunho contra o presidente Donald Trump durante o processo de impeachment, disse um advogado do militar. 

Vindman foi escoltado para fora da Casa Branca, onde trabalhou no Conselho de Segurança Nacional, segundo explicou o advogado David Pressman, em comunicado.

"Não há dúvida na mente de qualquer americano por que o trabalho desse homem acabou, por que este país agora tem menos um soldado servindo na Casa Branca. Foi pedido a Vindman que partisse para dizer a verdade", disse Pressman.

Vindman testemunhou no inquérito de impeachment da Câmara dos Deputados em novembro que Trump fez um pedido impróprio ao presidente ucraniano Volodmir Zelenski em um telefonema de julho que se tornou a peça central da investigação do presidente republicano.

O tenente-coronel disse a uma comissão que não podia acreditar no que estava ouvindo no telefonema. Trump pediu a Zelenski que iniciasse as investigações sobre o rival democrata Joe Biden e uma teoria da conspiração amplamente desmentida de que a Ucrânia, não a Rússia, estava por trás da intromissão nas eleições presidenciais de 2016 nos EUA.

Trump saiu vitorioso de seu julgamento político esta semana com uma votação no Senado, controlada por colegas republicanos que rejeitaram as acusaões de abuso de poder e obstrução de justiça.

Questionado anteriormente na sexta-feira sobre relatos da mídia de que ele poderia remover Vindman, Trump disse a repórteres: "Não estou feliz com ele. Você acha que devo estar feliz com ele? ... Eles vão tomar essa decisão." Uma fonte familiarizada com a situação disse à agência Reuters que Vindman seria transferido para o Departamento de Defesa.

Romney enfrenta pedidos de expulsão 

Após ser absolvido no julgamento no Senado, o presidente americano iniciou uma campanha para cobrar daqueles que se opuseram a ele. O senador e ex-candidato à presidência Mitt Romney, único republicano que votou contra Trump em uma das acusações, enfrenta agora os pedidos de expulsão do Partido Republicano feitos por membros leais e assediados pelo presidente com esse propósito. 

"O presidente é culpado de um terrível abuso de confiança pública", disse Romney em seu discurso no Senado, criticando a conduta de Trump como "um ataque flagrante" aos valores americanos.

Romney se tornou o primeiro senador da história dos Estados Unidos a votar pela destituição de um presidente de seu próprio partido, um feito sem precedentes nos julgamentos políticos de Andrew Johnson em 1868 e Bill Clinton em 1999. 

O senador disse ter recorrido à sua profunda fé mórmon para tomar "a decisão mais difícil" da sua vida. Mas Trump, comemorando a própria absolvição, apontou diretamente para ele.

"Não gosto de gente que usa a sua fé como justificativa para fazer o que sabe que é errado", disse em um café da manhã de oração nacional, na quinta-feira. "Se Romney tivesse "dedicado a mesma energia e raiva para derrotar um hesitante Barack Obama como fez comigo, poderia ter vencido as eleições", tuitou Trump./REUTERS e AFP 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.