Assessor nega que Obama tenha sido ingênuo ao falar de Jerusalém

O candidato democrata à Presidênciados Estados Unidos, Barack Obama, fez mau uso de uma"palavra-chave" do mundo da política do Oriente Médio quandodisse que Jerusalém deveria ser a capital "indivisa" de Israel,mas isso não significa que conheça pouco de questõesinternacionais, afirmou um assessor dele na terça-feira. Discursando diante de um grupo lobista pró-Israel nestemês, Obama afirmou: "Jerusalém continuará a ser a capital deIsrael e precisa continuar indivisa". O comentário deixou indignados os palestinos, que queremfazer de Jerusalém Oriental (a parte árabe da cidade ocupadapor Israel na guerra de 1967) a capital de um futuro Estadoseu. "Ele fechou todas as portas à paz", afirmou o presidentepalestino, Mahmoud Abbas, depois do discurso de 4 de junho. Mais tarde, Obama disse que os palestinos e os israelensesprecisavam negociar o status futuro da cidade, citando assim apostura adotada historicamente pelo governo norte-americano arespeito. Daniel Kurtzer, que aconselha o democrata em questõesrelativas ao Oriente Médio, disse na terça-feira, ao FórumPolítico de Israel, que o comentário de Obama resultou de "umaimagem existente na mente dele sobre uma Jerusalém de antes de1967, uma cidade com arames farpados, terrenos minados e zonasdesmilitarizadas". "Então, usou uma palavra para representar o que nãodesejava ver de novo. Mas percebeu depois que essa é umapalavra-chave no Oriente Médio", disse Kurtzer. Em 1995, o Congresso norte-americano aprovou uma leidescrevendo Jerusalém como a capital de Israel e dizendo que acidade não deveria ser dividida. Mas vários presidentesnorte-americanos usaram seu peso internacional para manter aEmbaixada dos EUA em Tel Aviv e dar apoio a negociações entreos israelenses e os palestinos a fim de decidir o destino deJerusalém. Na prática, a política externa dos norte-americanosalinha-se com a da Organização das Nações Unidas (ONU) e a deoutras grandes potências mundiais, que não consideram Jerusaléma capital de Israel e que não reconhecem a anexação deJerusalém Oriental ocorrida depois da Guerra dos Seis Dias(1967).

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