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Assessor ''verde'' de Obama renuncia

Acusações a republicanos derrubam Van Jones e convertem-se em mais um problema para a Casa Branca

Reuters, AP, Efe e AFP, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2009 | 00h00

O assessor especial para meio ambiente da Casa Branca, Van Jones, renunciou no fim de semana pressionado pelos líderes da oposição republicana, após a divulgação de polêmicas declarações feitas por ele no passado. O presidente americano, Barack Obama, voltou ontem a Washington após alguns dias de descanso em Camp David, em meio à polêmica pela renúncia de Jones no momento em que tenta aprovar no Congresso uma reforma no sistema de saúde e uma legislação sobre mudança climática.

Na quinta-feira, Jones pediu desculpas depois da divulgação de um vídeo no qual ele usava termos grosseiros para descrever os republicanos antes de assumir o cargo - em março. Revelou-se que ele assinou, em 2004, um documento enviado ao Congresso pedindo investigações sobre a hipótese de que funcionários de alto escalão do governo de George W. Bush permitiram que os atentados do 11 de Setembro ocorressem para justificar uma guerra.

DESPRESTÍGIO

Jones disse que renunciava para evitar ser uma distração nos esforços do governo para aprovar reformas. "Não posso, em sã consciência, pedir a meus colegas que desperdicem seu precioso tempo e energia defendendo ou explicando meu passado", disse, em sua carta de renúncia. "Às vésperas de lutas históricas pela saúde pública e energia limpa, os opositores das reformas montaram uma campanha de desprestígio contra mim", declarou Jones. "Eles estão usando mentiras e distorções para distrair e dividir."

Jones disse em seu comunicado que não estava de acordo com a posição da petição sobre os atentados terroristas. Sobre as declarações contra os republicanos, afirmou: "Se ofendi alguém com os comentários que fiz no passado, peço desculpas."

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse ontem que Jones renunciou porque "a agenda do presidente é maior do que qualquer questão individual" e ele não queria que a disputa atrapalhasse os esforços de Obama. Segundo Gibbs, o presidente considera redigir ele mesmo o projeto de reforma do sistema de saúde, diante da estagnação da legislação no Congresso. Gibbs declarou que os americanos saberão exatamente o que Obama defende após seu discurso na quarta-feira no Congresso para falar da reforma do sistema de atendimento médico do país.

Ele disse que Obama está disposto "a traçar linhas claras" e apoia um sistema de atendimento público. Ainda não está claro qual é o plano de Obama para iniciar um programa de cobertura patrocinado pelo governo para competir com as seguradoras privadas.

A reforma, que a Casa Branca descreveu como o principal objetivo de sua política interna, perdeu apoio nas pesquisas, mas os que apoiam sua adoção ainda são maioria. A Casa Branca busca a cobertura médica universal e a redução dos elevados custos dos planos de saúde privados com a reforma. Cerca de 47 milhões de americanos atualmente não têm plano de saúde.

Obama quer que a reforma seja aprovada neste ano, mas a oposição republicana e a própria falta de consenso entre os democratas dificultam esse objetivo. Além disso, há o fato de a morte do senador Ted Kennedy ter deixado os democratas sem os 60 senadores necessários para evitar possíveis obstruções parlamentares pela oposição.

A discussão sobre a lei climática foi adiada para o fim do mês. Com isso, Obama será obrigado a ir de mãos vazias à conferência sobre meio ambiente de Copenhague, em dezembro, o que representa um enorme retrocesso em sua agenda ambiental.

DESAFIOS INTERNOS

Saúde - Obama terá de optar se abandona o plano de saúde estatal ou se aprova lei radical sem apoio de republicanos

Clima - Impasse no Senado pode fazer Obama ir à reunião de Copenhague de mãos vazias

Equipe - Parte da equipe de Obama ainda não foi confirmada e oposição ameaça vetar nomes

Economia - Casa Branca e FED devem definir se combatem o déficit ou mantêm medidas anticrise

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