Saul Loeb/AFP
Saul Loeb/AFP

Assessores contradizem Trump sobre plano de ataque do Irã a embaixadas

Presidente disse que iranianos atacariam quatro representações dos EUA; ameaça, porém, é negada pelo Pentágono

The Washington Post, Washington

12 de janeiro de 2020 | 20h58

As principais autoridades do governo Donald Trump reconheceram neste domingo, 12, que não poderiam confirmar a declaração do presidente que, para justificar a morte do general iraniano Qassim Suleimani, disse na sexta-feira, 10, que os iranianos planejavam atacar quatro embaixadas dos Estados Unidos. 

No programa Face the Nation, da CBS, o secretário de Defesa, Mark Esper, afirmou que “não viu” evidências de um plano iraniano de ataque a embaixadas. No entanto, ele disse que “compartilha da opinião do presidente de que provavelmente eles (iranianos) fossem atrás de nossas embaixadas”.

No mesmo dia da declaração, um alto funcionário do governo e outro da Defesa, falando ambos sob condição de anonimato, disseram ao jornal The Washington Post que havia “informações vagas” sobre uma conspiração contra a embaixada em Bagdá, mas essas apurações não sugeriam um plano já estabelecido. Nenhum funcionário confirmou as ameaças contra várias embaixadas.

No State of the Union, da CNN, neste domingo, 12, Esper defendeu o ataque contra Suleimani, dizendo que a ofensiva “redefiniu os termos com o Irã”.

No This Week, na ABC, o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, Robert O’Brien, também defendeu o ataque, dizendo que os Estados Unidos continuarão com uma “campanha de pressão máxima” contra o regime.

O’Brien também afirmou que o presidente mostrou “uma contenção incrível” diante das provocações reiteradas do Irã. No entanto, o assessor não confirmou a alegação de Trump de que a Casa Branca havia recebido informações de que Suleimani, chefe das Forças Quds, a tropa de elite do Irã, planejava ataques “iminentes” contra quatro embaixadas dos EUA.

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“O que o presidente disse é a mesma coisa que estamos dizendo. Tínhamos uma informação muito forte de que eles (iranianos) queriam matar e mutilar americanos em instalações americanas na região”, disse O'Brien ao Fox News Sunday.

Segundo ele, mesmo com um serviço de “inteligência requintado” é difícil “saber exatamente quais são os alvos”. O’Brien acrescentou que é correto dizer que um futuro ataque iraniano “teria atingido embaixadas em pelo menos quatro países”.

Pressionado a dizer por qual motivo a Casa Branca não revelou mais detalhes sobre a suposta ameaça, O'Brien disse que “adoraria divulgar as informações”, mas é preciso preservar alguns dados como forma de proteger os americanos.

Congresso 

Democratas e republicanos reagiram à declaração de Esper. O democrata Adam Schiff afirmou que sempre faltou “especificidade” sobre uma ameaça potencial contra embaixadas. “Trump e Esper estão escondendo os detalhes e exagerando sobre as informações da inteligência”, disse. De acordo com o democrata, é perigoso manipular relatórios que tratem de uma guerra com o Irã. 

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A declaração de Trump não fez parte de uma reunião do Senado (briefing) no início da semana passada, explicou o senador republicano Mike Lee. “Isso é novidade para mim”, disse. “Certamente não foi algo que me lembro de ter sido levantado no briefing do Senado”, disse ao comentar o encontro de membros do governo com senadores após o ataque. Lee também criticou Trump por não justificar suficientemente a morte de Suleimani. 

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