Assessores de presidente lituano vinculados à máfia russa

A Lituânia enfrentava hoje sua maior crise de liderança desde que ganhou independência em 1991 depois de acusações de que figuras-chave no gabinete do presidente Rolandas Paksas podem estar ligados a gangues do crime organizado russo. O Parlamento da ex-república soviética, ou Seimas, promoveu hoje uma sessão de emergência, televisionada para todo o país, para tratar de denúncias contidas num relatório de uma agência de segurança estatal, que foram vazadas para jornais lituanos este fim de semana. As acusações se concentram no assessor de Segurança Nacional da Presidência, Remigijus Acas, e o empresário Yuri Borisov, com dupla cidadania, lituana e russa, que doou o equivalente a US$ 400 mil para a campanha de Paksas no ano passado. Oficiais de segurança grampearam conversas telefônicas de Acas e Borisov com pessoas que fariam parte de máfias russas. Nas gravações, reproduzidas hoje na sessão parlamentar, dois homens discutem quais favores esperam de Paksas. Paksas afastou Acas na sexta-feira, um dia antes de surgirem as notícias do escândalo. Paksas, de 48 anos, um ex-piloto de acrobacias que derrotou o ex-presidente Valdas Adamkus no começo do ano por estreita margem, negou categoricamente qualquer irregularidade. "Não violei nem a Constituição nem a lei", garantiu num comunicado. A população do país de 3.5 milhões não se desgrudou hoje de aparelhos de tevê e acompanhou o presidente do Parlamento, Arturas Paulauskas, confirmar as notícias dos jornais. As denúncias abalaram o país Báltico. Vários parlamentares exigiram a renúncia de Paksas. Mas a maioria quer esperar os resultados de uma comissão especial de nove membros formada hoje para investigar as acusações. Em uma gravação, um voz que seria de Borisov expressa irritação pelo fato de Paksas não ter feito uma indicação pedida por ele e afirma que se continuar a ser marginalizado ele iria querer "meu dinheiro de volta".

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