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Assessoria na Assembleia foi discreta e invisível

Se Penelope Fillon exerceu uma função, no Parlamento foi na sombra, no silêncio

Gilles Lapouge, O Estado de S.Paulo

26 Janeiro 2017 | 05h00

A direita encontrou um candidato para as próximas eleições presidenciais de maio. É François Fillon, que de 2007 a 2012 foi o primeiro-ministro do presidente Nicolas Sarkozy. Boa escolha: Fillon é tão reservado quanto Sarkozy era petulante e vulgar. Fillon é a imagem da velha França elegante, secreta. Filho de um notário, competente, veste-se com elegância e sem ostentação. Ele lembra antigos senhores de castelos de alta linhagem. Cristão fervoroso, assiste à missa aos domingos com a mulher, Penélope, inglesa, mãe de cinco filhos muito bem educados.

O programa que ele adotará se eleito é medíocre, mas sóbrio, severo, exigente. Com ele, a austeridade será a prioridade. Menos funcionários. Confiança nos empresários. Luta de todos os minutos contra o assistencialismo generalizado que esgota o orçamento do Estado. Extremo rigor moral, é óbvio, e transparência.

Quanto a isso, tudo bem. Só que há na França um jornal intitulado Le Canard Enchainé que, com talento, gosta de pesquisar sobre a moral dos políticos. Ontem, Le Canard Enchainé publicou uma informação inédita: Penélope, que todo mundo considerava uma mulher do lar, tinha um trabalho, e mesmo uma profissão.

Durante vários anos, foi assessora parlamentar de um deputado. Que deputado? Seu marido, François Fillon. Para esta função ela recebia um salário bastante adequado, pois foi assim que pôde contribuir para a renda de sua pequena família com a soma de ¤ 500 mil.

Nada de ilegal nisso: os deputados dispõem de certa soma para remunerar seu assessor parlamentar. A única condição: o assessor precisa exercer um trabalho real. Foi aqui que jornal ficou perplexo. Seus investigadores vasculharam e não conseguiram encontrar o menor vestígio do trabalho de Penélope. Se ela exerceu uma função, foi na sombra, no silêncio. Felizmente, Fillon imediatamente confirmou que Penélope preencheu, durante alguns anos, o cargo de assessora parlamentar. Os franceses agora estão aliviados. Tudo está bem quando acaba bem. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

É CORRESPONDENTE EM PARIS

 

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