Associação condena massacres de civis no Iraque

A Associação dos Direitos Humanos do Iraque condenou o suposto massacre de 11 civis iraquianos por soldados americanos ocorrido em março, na cidade de Ishaqi, como revelado pela rede de TV britânica BBC nesta sexta-feira."Parece que matar civis iraquianos está se tornando um fenômeno diário", disse o presidente da Associação, Muayed Al-Anbaki, após a divulgação do vídeo do massacre.O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald H. Rumsfeld, defendeu o curso de ética que os soldados americanos receberão e disse que incidentes como os massacres de civis alegados pelos iraquianos não deveriam ocorrer."Nós sabemos que 99,9% da conduta das nossas forças são exemplares. Mas também sabemos que em conflitos coisas que não deveriam acontecer, acontecem", disse Rumsfeld.O secretário disse não poder comentar as investigações, mas alegou que esta não é a maneira padrão de atuação dos soldados americanos. "Não esperamos que os soldados americanos ajam dessa forma, eles são treinados para não agir assim."A nova acusação vem à tona em meio às acusações de que os americanos teriam realizado um massacre na cidade de Haditha, em novembro do ano passado, onde há suspeitas de que os soldados americanos tenham matado até 24 civis iraquianos.O governo iraquiano já iniciou sua própria investigação sobre o incidente em Haditha. No massacre, os marines teriam invadido casas e matado civis, incluindo crianças, após a morte de um fuzileiro naval em uma explosão na cidade.Versão americana A versão das tropas militares americanas para as mortes em Isahaqi, divulgada em março, foi de que quatro pessoas morreram no ataque a uma casa suspeita de abrigar um integrante da Al-Qaida.Mas um vídeo mostra ao menos cinco crianças mortas, e destas, quatro aparecem com tiros na cabeça. A filmagem mostra também um homem morto com um tiro na cabeça. Além disso, a gravação inclui um homem não identificado dizendo "crianças foram confinadas nos quartos (...) e mortas a tiros. Depois, os militares atacaram a casa para esconder as evidências. Até uma criança de seis meses foi morta."Riyadh Majid, que se identificou com sobrinho de Faez Khalaf, antigo dono da casa atacada e que foi morto na ação, disse que as forças americanas chegaram em helicópteros e atacaram a casa. Segundo o irmão de Khalaf, nove das vítimas eram membros da família e dois eram visitantes.Outra acusaçãoAlém dos dois casos, sete fuzileiros navais e um enfermeiro da marinha poderão responder criminalmente pelo assassinato, seqüestro e conspiração pela morte de um homem iraquiano, informou um advogado de defesa nesta quinta-feira.Promotores militares planejam arquivar as acusações contra os oito homens, que estão presos em uma base dos fuzileiros navais na Califórnia, disse o advogado Jeremiah Sullivan III. Segundo reportagens do Los Angeles Times e do noticiário televisivo NBC News, os soldados plantaram um rifle AK-47 e um pente de balas próximo ao corpo para sugerir que ele era parte da insurgência iraquiana.

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