Noah Berger/Reuters
Noah Berger/Reuters

Associação de escoteiros dos EUA suspende veto e aceita líderes homossexuais

Decisão deve ser adotada imediatamente e permite que adultos gays liderem como guias de patrulhas; grupos religiosos se opuseram 

O Estado de S. Paulo

28 de julho de 2015 | 10h19

WASHINGTON - A Associação de Escoteiros dos Estados Unidos suspendeu na segunda-feira 27, em uma votação vencida por grande maioria, o veto que impedia adultos homossexuais de trabalharem como líderes de tropa na organização.

A decisão, já aprovada no início do mês por unanimidade no comitê executivo dos Escoteiros, foi submetida à votação no conselho nacional e foi ratificada com 79% dos votos, devendo ser adotada de forma definitiva e imediata.

A medida foi tomada depois de a associação ter começado a admitir adolescentes abertamente homossexuais em seus quadros em 2013. No entanto, havia o veto no caso de adultos, que habitualmente trabalham como guias das patrulhas, havia sido mantido.

"Manter a antiga política era insustentável e, inevitavelmente, teríamos que lidar com batalhas legais simultâneas em múltiplas jurisdições com custos exagerados", afirmou o presidente da Associação de Escoteiros e ex-secretário de Defesa dos governos de George W. Bush e Barack Obama, Robert Gates.

Apesar do fim da proibição, grupos locais de escoteiros vinculados às igrejas e organizações religiosas podem continuar limitando a entrada de homossexuais nesses cargos, já que têm autoridade para escolher seus próprios monitores. Segundo a associação, a mudança "respeita o direito" desses grupos locais de "seguir escolhendo líderes adultos cujas crenças sejam consistentes com as suas".

A fórmula escolhida procura manter o apoio dos mais conservadores, que seguem sendo, em grande parte, peças-chave na estrutura dos escoteiros americanos. Quase 70% dos 110 mil grupos existentes no país são filiados a organizações religiosas.

Apesar da "concessão", os grupos locais reagiram à decisão. A Igreja Mórmon já divulgou um comunicado no qual ameaça abandonar sua participação no movimento escoteiro. Os porta-vozes da comunidade mórmon afirmaram que se sentiram "profundamente contrariados" pela decisão e anteciparam que "a parceria de um século com os escoteiros deverá ser revisada".

No total, 2,7 milhões de crianças e 1 milhão de adultos são escoteiros em território americano. /EFE

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