SAUL LOEB / AFP
SAUL LOEB / AFP

Associação de juízes dos EUA pede reunião de emergência após interferência de Trump na Justiça

Ação ocorre após intervenções do presidente dos Estados Unidos e de o secretário de Justiça ter se manifestado a favor de sentença mais branda para aliado de Trump

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2020 | 14h03

WASHINGTON - A Associação de Juízes Federais dos Estados Unidos vai convocar uma reunião de emergência para tratar da intervenção do presidente Donald Trump e do secretário de Justiça, William Barr, em casos judiciais politicamente sensíveis. A informação foi dada pela juíza distrital Cynthia M. Rufe, da Filadélfia, em entrevista ao jornal USA Today

Chefe da associação voluntária com pouco mais de mil juízes federais criada em 1982, ela afirmou que a "questão não pode esperar" e que o grupo está muito preocupado. No domingo, um grupo de 1.100 ex-funcionários do Departamento de Justiça divulgou uma carta pedindo que Barr se demitisse após o caso Roger Stone - um amigo de longa data e consultor político de Trump que foi recentemente condenado por obstruir uma investigação do Congresso sobre a interferência da Rússia na campanha eleitoral de 2016 e de fornecer falso testemunho. 

Os signatários do texto acusam Trump e Barr de “abertamente e repetidamente” ignorar o princípio fundamental de equanimidade e imparcialidade na aplicação das leis.

De acordo com o jornal The Washington Post, não há menção de uma reunião como essa da associação para tratar de ações do presidente ou de um chefe do Departamento de Justiça. 

A ação ocorre após uma semana turbulenta. Trump causou temor ao criticar promotores que haviam recomendado uma sentença de até nove anos de prisão e Barr se manifestou em favor de uma sentença mais branda. Quatro promotores responsáveis abandonaram o caso em protesto.

Na semana passada, Barr também reclamou que os tuítes de Trump estavam enfraquecendo sua autoridade e a credibilidade de seu departamento - o que, para advogados antigos e atuais do departamento, foi um sinal de que a independência do órgão estaria em perigo.

Trump afirmou, no entanto, que tem o direito legal de intervir em casos de crimes federais. O presidente afirmou que "escolheu até este momento" não interferir em processos criminais, embora acredite que não esteja legalmente obrigado a fazê-lo. "Isso não significa que eu não tenha, como presidente, o direito legal de fazer isso, mas até agora optei por não (interferir)!", escreveu. / Com informações do The Washington Post, The New York Times e da AFP 

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