Assunção é tomada por manifestantes pró-Lugo

População vai às ruas da capital paraguaia para protestar contra decisão do Senado de destituir presidente do país

ROBERTO SIMON, ENVIADO ESPECIAL / ASSUNÇÃO, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2012 | 03h03

A tensa sessão de ontem no Senado paraguaio foi acompanhada, do lado de fora, por dezenas de milhares de manifestantes revoltados com a tentativa de destituir o presidente Fernando Lugo. A região da capital onde ficam os prédios dos três poderes foi bloqueada ao trânsito de veículos. O comércio nas quadras adjacentes ao Senado foi fechado, deixando quase desertas algumas das ruas mais movimentadas de Assunção. Entre as três quadras que separam a Plaza de Armas, onde fica o Senado e o palácio presidencial, o Estado contou quatro barreiras.

"Vamos ficar aqui diante do Senado o quanto for necessário, até que acabe o risco de ver o presidente Lugo vítima de um golpe da oligarquia", prometia Geronimo Gonzales, cozinheiro de 28 anos, apontando para a barraca de camping que armara no gramado. Ele saiu de Guarambaré, nas cercanias de Assunção, pela manhã, para "montar guarda à democracia", disse. "Estamos dispostos a transformar a Plaza de Armas na Praça Tahrir", brincou o cozinheiro, fazendo alusão ao epicentro dos protestos no Egito. A poucos metros da grade que isolava o prédio do Senado da multidão, a funcionária pública Estela Notário puxava os gritos de "U-ha, Lugo no se va!". Diante dela, soldados antidistúrbio e um blindado com canhão d'água estavam de prontidão.

No palanque montado na praça, representantes de grupos de esquerda denunciavam o "complô que passa pela embaixada americana, empresas multinacionais e os oligarcas paraguaios" contra Lugo.

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