Astronautas embarcam para jornada de um ano

Dois russos e um norte-americano embarcam neste sábado na Estação Espacial Internacional, dando início a uma jornada de um ano para dois deles. Mikhail Kornienko e Scott Kelly ficarão 342 dias a bordo do laboratório, quase o dobro do tempo de uma missão padrão. O russo Gennady Padalka permanecerá lá por seis meses.

AE, Estadão Conteúdo

28 Março 2015 | 11h13

Os astronautas chegaram à estação quase oito horas após partirem de uma base russa no Casaquistão. Eles foram recebidos pelo norte-americano Terry Virts, o russo Anton Shkaplerov e a italiana Samantha Cristoforetti, que estão lá desde o fim de novembro. Essa é a primeira tentativa da NASA de realizar uma missão espacial de um ano. Quatro russos já passaram um ano ou mais no espaço, todos a bordo da estação soviética Mir. O objetivo é analisar os efeitos de um período prolongado sem gravidade no corpo humano, um passo para uma possível missão tripulada para Marte.

O gêmeo idêntico de Kelly, Mark, que é um astronauta aposentado, concordou em participar dos mesmo exames médicos que serão realizados com o irmão, para ajudar os cientistas a comparar como um corpo no espaço reage em relação a um indivíduo semelhante na Terra. Eles têm 51 anos. Os ossos e músculos se enfraquecem em um ambiente sem gravidade, assim como o sistema imunológico. Os fluidos corporais também mudam, se concentrando na cabeça, o que aumenta a pressão no cérebro e olhos.

Com os novos experimentos, o futuro da Estação Espacial Internacional parece garantido pelo menos até 2024. No ano passado, em meio às tensões entre EUA e a Rússia, o vice-primeiro-ministro russo Dmitry Rogozin disse que o país planejava extinguir o projeto em 2020. Agora, porém, o diretor da agência espacial russa, Igor Komarov, afirmou que chegou a um acordo com a NASA. "Também vamos trabalhar com a NASA em um programa para uma futura estação orbital", revelou ele após o lançamento no Casaquistão.

Além dos obstáculos fisiológicos, a longa missão espacial também traz outros desafios, especialmente emocionais. Porém, esse não parece ser um problema para Kelly. Questionado se não sentiria falta do irmão gêmeo, ele disse que já passou mais tempo afastado de Mark. "E foi ótimo", brincou. Fonte: Associated Press.

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