Astrônomos descobrem galáxia mais longe já avistada

Um estudo publicado na revista científica Nature afirma que uma imagem captada pelo telescópio espacial Hubble alguns meses atrás revelou uma galáxia de 13,1 bilhões de anos. Os pesquisadores acreditam que esta é a galáxia mais primitiva e mais distante já avistada. Segundo os astrônomos, ela seria de uma época em que o Universo era extremamente jovem, com apenas 600 milhões de anos.

AE-AP, Agência Estado

20 de outubro de 2010 | 19h52

Hoje em dia a galáxia é tão velha que provavelmente não existe mais em sua forma original e já se fundiu com as vizinhas, disse Matthew Lehnert, do Observatório de Paris, principal autor do estudo publicado na revista científica Nature. "Estamos olhando para o Universo quando ele tinha 5% de sua idade atual", disse o astrônomo do Instituto de Tecnologia da Califórnia Richard Ellis, que não tomou parte no estudo. "Em termos humanos, estamos olhando para um menino de quatro anos dentro do tempo de vida de um adulto".

Os astrônomos europeus calcularam a idade da galáxia depois de 16 horas de observação em um telescópio no Chile, que buscou assinaturas na luz do gás hidrogênio. Há alguns meses, astrônomos estimaram que os pontos mais distantes na foto do Hubble, apresentada numa reunião de cientistas em janeiro, seriam de 600 milhões a 800 milhões de anos após o Big Bang. Embora Ellis considere a base do trabalho "muito boa", houve outras alegações sobre a idade de objetos cósmicos que não sobreviveram a uma análise mais aprofundada, e há céticos em relação a este último. Mas todos consideram o trabalho importante.

No estudo mais recente, os pesquisadores focalizaram uma única galáxia na análise da assinatura do hidrogênio, refinando a estimativa de idade. O pesquisador Garth Illingworth, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, que foi o responsável pela imagem do Hubble, disse que o novo trabalho fornece confirmação para a idade usando uma técnica diferente, algo que considera excepcional "para objetos tão tênues". A galáxia não tem nome - apenas letras e números. Por isso, Lehnert e colegas decidiram chamá-la de "bolha de alto desvio para o vermelho".

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