AP Photo/Sergei Poliakov
AP Photo/Sergei Poliakov

Atacar Síria causaria onda migratória na Europa, diz chanceler russo

De acordo com Serguei Lavrov, intervenção militar no país ou 'mesmo excessos insignificantes' resultarão em acontecimentos similares aos ocorridos na Líbia e no Iraque; Moscou alega ter 'provas irrefutáveis' de que ação em Duma foi uma montagem

O Estado de S.Paulo

13 Abril 2018 | 11h49

MOSCOU - O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse nesta sexta-feira, 13, esperar que não haja uma repetição da experiência da Líbia e do Iraque no conflito da Síria.

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Advertindo contra uma intervenção militar, o chanceler russo lembrou que "mesmo excessos insignificantes provocarão novas ondas de migrantes na Europa e outros acontecimentos, de que nós, nem nossos parceiros europeus, temos necessidade".

Em uma alusão direta aos Estados Unidos, afirmou que essa onda migratória pode "alegrar aqueles que estão protegidos por um oceano" e vão usar esse processo, segundo ele, para "continuar a dividir essa região para seus projetos geopolíticos".

Além disso, Lavrov qualificou de "encenação" o suposto ataque químico ocorrido na semana passada na Síria, da qual participaram "os serviços especiais de um Estado", não especificado por ele, mas que seria "russófobo" e teria como objetivo culpar Moscou e o regime de Damasco.

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"Temos dados irrefutáveis de que se trata de uma nova montagem, e que por trás está a mão dos serviços secretos de um país que nestes momento trata de estar na vanguarda da campanha contra a Rússia", disse.

Em entrevista após se reunir com seu colega holandês, o chanceler russo lembrou que uma missão de especialistas da Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ) está agora de caminho à Síria.

"Acredito que devem chegar a Damasco amanhã (sábado) pela manhã e confiamos que se dirijam sem demora a Duma, onde nossos especialistas, que já estiveram no local, não acharam nenhum rastro do uso de armas químicas, seja cloro ou outra coisa", ressaltou.

Segundo os capacetes brancos sírios, os socorristas em zonas rebeldes, e a ONG Syrian American Medical Society, dezenas de pessoas foram mortas em 7 de abril em Duma em um ataque com "gás tóxico", atribuído por países ocidentais ao governo Bashar Assad. Damasco nega qualquer envolvimento.

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Na quarta-feira, o Exército russo acusou os capacetes brancos de terem "encenado diante das câmeras um ataque químico contra civis". / EFE, AFP e REUTERS

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