Ataque a acampamento mata 3 manifestantes opositores na Tailândia

Horas depois, ativistas foram até uma base da força aérea protestar e premiê interino precisou fugir do local

O Estado de S. Paulo,

15 Maio 2014 | 11h51

BANGCOC - Pelo menos três pessoas morreram e 24 ficaram feridas em ataques contra o acampamento de manifestantes opositores ao governo instalado nas cercanias do Monumento para a Democracia em Bangcoc, informaram nesta quinta-feira, 15, os serviços médicos e a imprensa local.

Vários homens montados em uma caminhonete abriram fogo com fuzis de assalto M16 nesta madrugada contra seguranças e manifestantes na intersecção de Khok Hwa. Cinco minutos depois do tiroteio, duas granadas M79 foram lançadas contra o acampamento do grupo antigovernamental, segundo jornal Bangcoc Post.

Um manifestante de 21 anos foi atingido por disparos no peito e no estômago e um guarda, de 51 anos, foi baleado no peito e na perna. Os dois morreram no local.

A terceira vítima, cujos dados ainda não foram revelados, morreu durante esta manhã no hospital onde estava internada pelos ferimentos que tinha, informou o jornal The Nation.

Horas depois, ativistas opositores invadiram uma base da força aérea onde o primeiro-ministro interino, Niwatthamrong Boonsongphaisan, realizava uma reunião com a comissão eleitoral. Boonsongphaisan precisou fugir pela porta dos fundos, escoltado junto com ministros.

O assunto da reunião eram as eleições gerais de 20 de julho, que ainda não foram oficialmente convocadas, mas devem substituir as de fevereiro, canceladas pelos tribunais devido ao boicote dos manifestantes.

Os manifestantes foram até a base militar orientados por seu líder, Suthep Thaugsuban, que anunciou que irá onde o primeiro-ministro estiver para exigir sua renúncia.

Boonsongphaisan foi nomeado na semana passada depois que sua antecessora, Yingluck Shinawatra, foi obrigada a renunciar após a decisão do Tribunal Constitucional que a acusou de abuso de poder.

Depois de cancelar a reunião, o porta-voz da Comissão Eleitoral, Somchai Srisuthiyakorn, advertiu que os protestos poderiam atrasar os preparativos para as eleições de 20 de julho e forçar o seu cancelamento, informou o The Nation.

Até agora, 28 pessoas morreram e mais de 800 ficaram feridas desde que as manifestações contra o governo ganharam força e começaram as invasões a ministérios, no dia 25 de novembro de 2013.

Os manifestantes exigem que, antes da realização de novos pleitos, seja feita um reforma do sistema político por considerarem que ele está a serviço dos interesses do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawata, irmão mais velho de Yingluck e condenado em 2008, à revelia, a dois anos de prisão por corrupção.

Do outro lado, os partidários do governo chamados "camisas vermelhas", unidos na organização civil Frente Unida para a Democracia e contra a Ditadura ameaçaram começar uma guerra civil se perderem seus direitos democráticos.

A Tailândia se arrasta em uma grave crise desde o golpe militar que derrubou Thaksin em 2006./ EFE

 
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