Ataque a bar no Burundi deixa 36 mortos

Supostos congoleses entraram fardados no local e abriram fogo para 'não deixar sobreviventes'

Associated Press

19 Setembro 2011 | 17h41

Familiares das vítimas foram recolher corpos no bar atacado

 

BUJUMBURA - Homens armados do Congo atacaram um bar em Burundi e mataram 36 pessoas, informaram as autoridades burundinesas. Um dos feridos afirmou que um dos congoleses gritou aos colegas para "não deixarem sobreviventes". O ataque aconteceu na noite do domingo em Gatumba, a oeste de Bujumbura, capital do país.

 

Jackson Kabura, um dos sobreviventes do ataque, que foi baleado no estômago, disse que os congoleses entraram no local vestido fardas. "Um deles disse 'matem todos, matem todos. Não deixem sobreviventes'", contou.

 

O coronel Sylvain Ekenge, porta-voz militar do Congo, se disse surpreso com os relator de que os homens armados poderiam ser de seu país. Segundo ele, é mais provável que sejam das Forças Nacionais da Libertação, um dos últimos grupos de resistência burundineses. Integrantes deste grupo foram capturados em território congolês recentemente.

 

Durante o último ano, houve relatos de que o grupo extremista do Burundi, liderado por Agathon Rwasa e formado majoritariamente por membros da etnia hutu, opera no leste do Congo e tem se preparado para uma guerra. As autoridades burundinesas sofrem raros ataques comumente associados aos rebeldes.

 

O Burundi é uma pequena nação no centro da África que ainda se recupera de uma guerra civil que deixou mais de 250 mil mortos. Os conflitos tiveram início em 1993, quando membros da etnia tutsi assassinaram o primeiro presidente democraticamente eleito no país, que era hutu. O cessar-fogo foi declarado em 2006, mas levou mais tempo para que as batalhas finalmente acabassem.

 

A missão da Organização das Nações Unidas no Congo reportaram a presença de rebeldes das Forças Nacionais da Libertação no leste do país, sugerindo que eles poderiam trabalhar em conjunto com rebeldes hutu da Ruanda que operam na área. O grupo de especialistas da ONU para o Congo citaram "várias fontes" em novembro do não passado em informações sobre grupos burundineses se armando e se organizando no Congo, mas o governo de Bujumbura disse não ter evidências de que os rebeldes estariam se preparando para a guerra.

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