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Ataque a café na Dinamarca deixa um morto e seis feridos

Homem armado atirou contra local onde ocorria evento em homenagem a vítimas do 'Charlie Hebdo' com a presença de um cartunista sueco

Andrei Netto, correspondente / Paris, O Estado de S. Paulo

14 de fevereiro de 2015 | 15h20


(Atualizada às 20h20) PARIS - Dois ataques deixaram um morto e seis feridos ontem em Copenhague, na Dinamarca. No primeiro, um homem armado atirou contra o local onde se realizava um debate sobre liberdade de expressão em homenagem às vítimas do atentado ao Charlie Hebdo, matando uma pessoa e ferindo outras três. Dez horas depois, um homem abriu fogo contra uma sinagoga no centro da cidade, deixando três feridos – sendo dois policiais. As autoridades não determinaram ligação entre os dois episódios.Segundo a polícia, por volta das 15h30 (horário local, 12h30 em Brasília), um homem disparou uma rajada contra a fachada do Krudttønden (barril de pólvora, em dinamarquês), café e centro cultural a 3,7 quilômetros do centro de Copenhague, onde ocorria o evento, “Arte, blasfêmia e liberdade”, homenageava as vítimas do ataque ao jornal de humor francês Charlie Hebdo, que tinha entre os debatedores o cartunista sueco Lars Vilks, que em 2007 fez uma charge de Maomé e, desde 2010, vive sob proteção policial

Um homem de 40 anos foi morto e três policiais ficaram feridos, atingidos por disparos na virilha, na perna e no ombro.

O Ministério do Interior da Dinamarca informou que o atirador fugiu do local carregando uma metralhadora em automóvel Volkswagen Polo roubado e continuava desaparecido até o início da noite. Horas mais tarde, a polícia localizou o carro abandonado. As buscas se concentravam em Copenhague e na periferia da cidade.

A polícia divulgou uma imagem do suspeito registrada por uma câmera de segurança e afirmou se tratar de um homem de 25 a 30 anos, de “tipo árabe”, mas “com pele mais clara que o normal”. O homem vestia casaco preto e tinha uma echarpe cobrindo o rosto.

Dez horas depois e a pouco mais de 3 km do café em que ocorreu o primeiro ataque, um homem vestindo casaco cinza com detalhes multicoloridos, abriu fogo contra uma sinagoga, atingindo uma pessoa na cabeça e dois policiais, um no braço e outro na perna. O suspeito fugiu a pé. Depois do segundo ataque, a polícia bloqueou ruas e uma estação de metrô na região central de Copenhague.

Alvo. O chargista e historiador de arte Lars Vilks, que publicou em 18 de agosto de 2007 no jornal sueco Nerikes Allehanda uma charge retratando Maomé em um corpo de cachorro, era um dos organizadores do evento realizado no Krudttønden. Em entrevista à Associated Press, ele disse acreditar que era o alvo dp ataque. “Que outro motivo haveria?”, disse. “É possível até que o ataque tenha sido inspirado pelo do Charlie Hebdo”.

Vilks vive sob proteção policial desde maio de 2010, quando sua casa foi alvo de um incêndio criminoso. Em setembro de 2014, Abu Bakr al-Baghdadi, chefe da organização extremista Estado Islâmico, teria oferecido US$ 100 mil por sua cabeça.

Também estava presente na sala da conferência a ativista do movimento Femen Inna Shevchenko, que perdeu amigos no atentado contra o Charlie Hebdo em 7 de janeiro.

Em comunicado, a primeira-ministra dinamarquesa, Helle Throning-Schimidt, não hesitou em tratar o ataque como “ato terrorista”. “A Dinamarca foi atingida hoje por um ato de violência cínica”, disse a premiê. “Tudo leva a crer que foi um atentado político e, em consequência, um ato terrorista.”

Além da polícia local, o ministro do Interior da França, Bernard Cazeneuve, foi a Copenhague para trabalhar com as autoridades dinamarquesas. A Alemanha também se uniu aos esforços para localizar os suspeitos dos ataques.

Liberdade. Por meio de uma nota, a organização não governamental Repórteres Sem Fronteiras (RSF) denunciou mais um atentado contra a liberdade de expressão cometido na Europa. Christophe Deloire, secretário-geral da entidade, afirmou que um novo ataque dessa natureza “era temido após (o cometido contra o) Charlie Hebdo”.

“Vemos claramente que grupos ultrarradicais estão em guerra contra a liberdade de expressão, contra a liberdade de crítica irreverente das religiões e contra a simples liberdade de debater”, declarou Deloire na nota. “É terrível constatar que não só os jornais que fizeram caricaturas são alvos de tiroteios e, no caso do Charlie Hebdo, de um massacre, mas também que o simples fato de debater essas


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