AP
AP

Ataque a hospital deixa 49 mortos no Sri Lanka

Local era o único posto de saúde na zona de guerra; rebeldes estão presos em 4 quilômetros quadrados

Agências internacionais,

12 de maio de 2009 | 04h52

Um bombardeio atingiu o único posto médico na zona de guerra ao norte do Sri Lanka nesta terça-feira, 12. Ao menos 49 pessoas morreram e mais de 50 ficaram feridas, disse um oficial de Saúde do governo que está na área. Está é a segunda vez neste mês que o local é alvo de ataque.

 

O ataque aconteceu depois de um final de semana conturbado que matou centenas de civis refugiados na zona de guerra. Os militares negam as acusações de prejuízo que continuam ocorrendo na costa que está sob o controle dos rebeldes, onde podem haver 50 mil civis.

 

O médico Thurairaja Varatharajah, autoridade máxima do governo em Saúde na zona de guerra, disse que um morteiro atingiu o único hospital improvisado. Além dos 49 mortos, muitos foram feridos na cabeça e no estômago. Varatharajah disse esperar que o número de mortos cresça. Os bombardeios continuam atingindo a área horas depois, incluindo a região que está a 150 metros do hospital, afirmou o médico.

 

Um segundo funcionário do hospital, que pediu para não ser identificado, afirmou que o administrador do local está entre os mortos. Esta é a segunda vez que o prédio é atacado sob intenso fogo de artilharia. Em 2 de maio, 64 civis morreram no bombardeio do hospital. Os informes de combates são difíceis de serem verificados de modo independente, já que o governo proíbe os jornalistas e trabalhadores de organizações de ajuda de entrar na zona de combate.

 

Na véspera, a ONU denunciou que os combates do fim de semana no último reduto da guerrilha tâmil no norte do Sri Lanka causaram um "banho de sangue". Um médico na zona de guerra disse que pelo menos mil civis teriam sido mortos em dois dias de ataques. Pelo menos 430 civis, entre eles 106 crianças, foram levados ao hospital para serem enterrados ou morreram em suas instalações.

 

 

Na mais sangrenta jornada da ofensiva do Exército cingalês contra o último reduto dos rebeldes separatistas tigres tâmeis, no nordeste do Sri Lanka, aproximadamente 1.300 ficaram feridos, disseram fontes médicas do país. O porta-voz da ONU no Sri Lanka, Gordon Weiss, assegurou que a ONU "não atribuirá" a responsabilidade pelo massacre, do qual governo e guerrilha se acusam mutuamente.

 

Após lembrar que há entre 50 mil e 100 mil civis na região em que o Exército lançou sua ofensiva final, Weiss acrescentou que "a ONU já tinha alertado que haveria um banho de sangue, pois civis estão no meio dos combates". Um trabalhador humanitário disse que o único que tem "capacidade para lançar ataques aéreos é o governo".

 

Os Tigres de Libertação do Eelam Tâmil resistem em uma faixa litorânea de apenas 4 km² do Distrito de Mullaitivu, no norte do Sri Lanka. O governo nega que esteja usando artilharia pesada ou bombardeios aéreos contra o reduto e acusou a guerrilha de usar a população como um escudo humano e impedi-la de abandonar a área.

 

O site TamilNet, ligado aos rebeldes, diz que cerca de 2 mil civis teriam sido mortos nos ataques do governo cingalês, que se intensificaram nas últimas três semanas - cifra desmentida pelo Exército. A organização Human Rights Watch faz acusação semelhante, afirmando que os militares cingaleses têm atingido hospitais na zona de guerra. Para a ONG, os comandantes envolvidos na operação "devem ser julgados por crimes de guerra". O Exército diz que não tem usado explosivos nas áreas de maior concentração populacional, onde os tâmeis estão escondidos.

 

Matéria atualizada às 7h50.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.