Ataque a mercado deixa 42 mortos na Somália

Um ataque de morteiros em um mercadode Mogadíscio deixou pelo menos 42 mortos nesta segunda-feira,disseram testemunhas. Insurgentes islâmicos combatem o governo da Somália e seusapoiadores militares etíopes há dois anos, em um conflito quealguns já chamam "o Iraque africano". O combate piorou no final de semana, mesmo enquantoautoridades da ONU buscavam acordar um cessar-fogo entre ogoverno e representantes da oposição na vizinha Djibouti. No maior dos incidentes, morteiros atingiram o movimentadomercado de Bakara, aterrorizando consumidores e matando cercade 30 pessoas, disseram os residentes. Ali Dhere, presidente do comitê de negócios de Bakara,disse que projéteis disparados pelo governo atingiram omercado, localizado em uma área densamente povoada econsiderada um refúgio dos insurgentes islâmicos, depois deataques rebeldes contra o palácio presidencial. "Não sabemos por que estão mirando Bakara, afinal isto é ummercado, um local público", disse ele à Reuters. Autoridades do governo não estavam à disposição paraesclarecimentos, e os militares etíopes nunca comentam oscombates. Os comerciantes de Bakara descreveram uma cena terrível. "Vimos quatro pessoas morrerem na hora. A carne e o sangueforam espalhados aos pedaços", disse o vendedor de roupas NurOmar. Abdi Nur Hassan, dono de uma venda de eletrônicos, disseque dois mísseis caíram perto. "Vi seis pessoas morrerem,algumas sem pernas e mãos. Reunimos seus corpos, mas é difícilnão misturá-los", disse ele. Além do palácio presidencial, os rebeldes somalis atacaramnesta segunda-feira duas bases da União Africana, que atua comoforça apaziguadora, e o principal aeroporto, onde um vôocomercial desafiou a proibição de pouso do grupo militante alShabaab. Os residentes ainda disseram que pelo menos doze pessoasmorreram no domingo. "Um míssil atingiu a casa de um vizinho e matou novepessoas da mesma família", disse Farhiya Abdullahi à Reuters. Depois de ser expulsos de Mogadíscio, sua base principal,os rebeldes islâmicos se insurgiram no início de 2007, em umaonda que matou quase 10 mil civis e um número desconhecido decombatentes. Nos últimos dois meses eles se tornaram cada vez maisousados, lançando ataques à capital somali e capturando oestratégico porto de Kismayu, no sul do país. A al Shabaab está na lista de terroristas de Washington, eserviços de segurança ocidentais dizem que os rebeldesislâmicos possuem fortes laços com a Al Qaeda. Mas os líderesrebeldes se exibem como nacionalistas lutando contra umaocupação indesejada da Etiópia. Durante as pausas nos combates, os moradores de Mogadícioacudiram às poucas clínicas da cidade com seus feridos. Aequipe do hospital Madina disse ter recebido 65 vítimas desdedomingo.

IBRAHIM MOHAMED, REUTERS

22 de setembro de 2008 | 13h38

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