EFE/Andre Pichette
EFE/Andre Pichette

Ataque a mesquita de Quebec foi ação de uma só pessoa, diz polícia

Vítimas, mortas a tiros, têm entre 35 e 70 anos e faziam a oração noturna em centro cultural islâmico de Quebec; suspeito seria supremacista branco

O Estado de S. Paulo

30 Janeiro 2017 | 08h44

(Atualizada às 19h35) QUEBEC -Um estudante universitário franco-canadense é o suspeito de ter atacado uma mesquita na cidade de Quebec durante a oração noturna de domingo e matado seis pessoas a tiros. Ele estaria sob custódia da polícia. Pelo menos oito pessoas também ficaram feridas – 5 delas, gravemente. O SITE – que monitora a atividade de radicais e extremistas na internet – diz que ele seria um supremacista branco e, segundo a polícia, teria agido sozinho. 

Inicialmente, havia a suspeita de que dois homens haviam disparado contra os fiéis que rezavam na mesquita. Mas depois a polícia esclareceu que o segundo homem era, na verdade, uma testemunha. O nome dele, segundo a mídia, é Mohamed Khadir ou Mohammed Belkhadir.

O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, qualificou a ação de “ataque terrorista”, assim como a polícia.  “Condenamos este ataque terrorista contra os muçulmanos em um centro de culto e refúgio”, afirmou Trudeau em um comunicado. “Os muçulmanos canadenses são parte importante de nosso tecido nacional. Estes atos sem sentido não têm espaço em nossas comunidades, cidades e país”, completou.

Uma fonte próxima da investigação disse que o autor do ataque chama-se Alexandre Bissonnette. O SITE afirmou que o jovem seria um supremacista branco e simpatizante da candidata presidencial de extrema direita na França, Marine Le Pen. 

A mesquita de Quebec já havia sido alvo de um ataque de ódio: uma cabeça de porco foi deixada diante da porta do templo durante o Ramadã, em junho. A carne de porco é proibida, segundo o Islã. Outras mesquitas do país foram alvos de frases racistas nos últimos meses.

O ataque surpreendeu os moradores de Quebec, cidade de 500 mil habitantes que registrou apenas dois assassinatos em todo o ano de 2015. Ataques a tiros são raros no Canadá, onde as leis de controle de armas são muito mais rígidas e restritas do que nos EUA. 

O motivo do ataque ainda não foi determinado. A polícia iniciou uma vasta operação após o ataque.

Efeito. A ação ocorre no momento em que o Canadá promete abrir as portas aos muçulmanos e refugiados, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou um polêmico decreto que suspende a entrada dos refugiados e cidadãos de sete países muçulmanos, o que provocou o caos nas viagens e indignação no mundo.

O Canadá oferecerá temporariamente vistos de residência a várias pessoas retidas no país como resultado do decreto de Trump, informou no domingo o ministro da Imigração, Ahmed Hussen. Segundo o último censo do Canadá, de 2011, uma a cada cinco pessoas no país nasceu no exterior. O Canadá recebeu 39.670 refugiados sírios entre novembro de 2015 e o início de 2017, segundo o governo. 

A Al-Azhar, a instituição mais prestigiada do Islã sunita, com sede no Egito, condenou com firmeza o ataque terrorista. A instituição afirmou em comunicado que esse tipo de ataque “provoca ódio, sectarismo e cria um território fértil para o terrorismo e o extremismo”. / REUTERS, AFP e EFE 

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