Ataque a opositores mata três e fere 28 em Caracas

Pelo menos 3 pessoas morreram e 28 ficaram feridas em Caracas nesta sexta-feira quandodesconhecidos abriram fogo contra uma multidão de opositores concentrada na Praça Francia de Altamira, informou o chefe da defesa civil, Ángel Martínez Quintana.Segundo versões não confirmadas, quatro pessoas teriam morrido. A Praça Altamira, noleste da capital venezuelana, é o principal ponto de concentração para mais de cem oficiais militares desde que estes se declararam em rebelião em 22 de outubro, exigindo a renúnciado presidente Hugo Chávez.Um general rebelde, Félix Rodríguez, disse que os tiros foram disparados por pelo menos quatro pessoas, duas das quais foram detidas. Ele não informou a identidade dos detidos. Após oataque, outro líder militar rebelde, general Enrique Medina Gómez, conclamou o Exército a rebelar-se contra o governo Chávez.O vice-presidente venezuelano, José Vicente Rangel, negou enfaticamente que o governo tenha qualquer responsabilidade no ataque. Rangel afirmou que o governo "condena e repudia o ocorrido".Assim que ocorreram os primeiros disparos, centenas de pessoas que estavam ouvindo um discurso se jogaram no chão paratentar se proteger. A TV mostrou imagens de várias pessoas ensangüentadas sendo socorridas em ambulâncias. Chorando, algunsmanifestantes envolveram com uma bandeira venezuelana o corpo deum dos mortos."Assassinos, assassinos", reagiram, ao saber do ataque, alguns líderes da greve geral iniciada segunda-feira por convocação da oposição. A paralisação já afeta a indústria petrolífera, responsável por 70% das exportações do país.O ataque ocorreu enquanto diplomatas trabalhavam para a retomada de negociações com o objetivo de pôr fim à greve e à crise política. Pouco mais de uma hora depois dos disparos, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA),César Gaviria, anunciou para o fim da noite de desta sexta-feira uma reuniãoentre representantes do governo e da oposição na chamada Mesa deDiálogo, tendo também como objetivo o fim da violência.Antes do ataque, o líder sindical Manuel Cova advertiu que só um anúncio de que o governo aceita convocar eleições antecipadaslevará à suspensão da greve. Cova, secretário-geral da Confederação de Trabalhadores da Venezuela (CTV) e membro dadelegação opositora que está dialogando com o governo, disse nãoprever "o retorno da população a suas casas" se não houver umasaída eleitoral para a crise política do país.A oposição teminsistido na exigência de que Chávez aceite a realização, emfevereiro, de um referendo sobre sua permanência no poder.Já o governo insiste em que o referendo só pode ser realizado emagosto de 2003 - na metade do mandato de Chávez -, apesar de oConselho Nacional Eleitoral (CNE) ter aprovado sua realização em2 de fevereiro, com base em mais de 1 milhão de assinaturasobtidas pela oposição pedindo a realização da consulta popular.Uma coalizão de organizações defensoras dos direitos humanosexortou o governo e a oposição a chegarem a um acordo sobre umaconsulta popular o quanto antes, para evitar novos casos deviolência. O governo, porém, não dava sinais nesta sexta de que poderiaaceitar a antecipação das eleições.O deputado Nicolás Maduro,representante do governo nas conversações com os grevistas,exortou os chavistas a continuar manifestando nas ruas seu apoioa Chávez.No início do dia, dois jornalistas do jornal El Siglo, emMaracay, 80 quilômetros a oeste de Caracas, foram feridos a baladurante um ataque ao diário por um suposto grupo de"chavistas". A diretora do jornal, Mireya De Surita, disse quecerca de 300 pessoas cercaram o prédio e o atacaram com tiros,pedras e garrafas.

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