Ataque à polícia mata 12 no Paquistão

Grupo de atiradores toma escola de cadetes em Lahore por 8 horas antes de retomada por forças de segurança

AP, REUTERS E NYT, O Estadao de S.Paulo

31 de março de 2009 | 00h00

Um grupo de atiradores invadiu ontem uma academia de polícia em Lahore, leste do Paquistão, mantendo seus cadetes e funcionários como reféns durante cerca de oito horas. Após intenso combate com forças de segurança, a polícia conseguiu retomar o controle do local e prender quatro suspeitos de envolvimento. Outros três militantes teriam se explodido durante o ataque, que também deixou outros nove mortos e pelo menos 90 feridos, segundo o jornal The New York Times.O ataque ocorreu semanas depois de um atentado contra a seleção de críquete do Sri Lanka, no qual dezenas de atiradores abriram fogo contra o ônibus que transportava os atletas em Lahore , deixando sete mortos. Os dois ataques registrados em menos de um mês na cidade de 9 milhões de habitantes - na Província do Punjab e considerada a capital cultural paquistanesa - expuseram a fragilidade do país. Juntamente com o Afeganistão, o Paquistão tornou-se uma das prioridades do governo do presidente dos EUA, Barack Obama, que, na semana passada, apresentou uma revisão da estratégia americana para a região.O cerco altamente coordenado ocorreu na Escola de Treinamento Policial de Manawan, onde estavam aproximadamente 700 cadetes no momento da invasão. De acordo com testemunhas, alguns dos atiradores usavam uniformes de polícia quando entraram no prédio, por volta das 8 horas locais (0h de Brasília), atirando indiscriminadamente e lançando granadas. Os atiradores levavam metralhadoras e pistolas, além de usarem coletes revestidos - normalmente utilizados por homens-bomba.Imagens de TV mostravam explosões e cadetes tentando fugir da escola, pulando muros e procurando abrigo debaixo de veículos estacionados no pátio. Um helicóptero que levava policiais para o local foi atingido pelos atiradores, mas conseguiu pousar em segurança.Dezenas de carros de polícia e ambulâncias foram enviados para o local para dar suporte à operação. Por volta das 16 horas (8h de Brasília), as forças de segurança conseguiram encurralar os atiradores no último andar do prédio, retomando o controle da academia.Anunciando o fim da operação, o ministro do Interior, Rehman Malik, disse que o ataque tinha como objetivo "desestabilizar" a democracia e fez acusações contra grupos militantes, sem rejeitar uma participação direta da Índia, cujo governo é um antigo inimigo do Paquistão. O ministro, porém, deu declarações conflitantes referentes a qual grupo seria responsável pelo atentado.AUTORIA DE ATAQUEMalik indicou que o Lashkar-i-Jhangvi, grupo sectário que atua no Punjab e tem vínculos com a rede terrorista Al-Qaeda, poderia ser o autor do ataque. No entanto, ele disse que os militantes eram combatentes leais a Baitullah Mehsud, um dos principais comandantes do Taleban paquistanês. Mehsud é acusado de envolvimento no assassinato da ex-premiê Benazir Bhutto, em dezembro de 2007.Há tempos o governo paquistanês vem sofrendo pressão internacional para combater os integrantes da Al-Qaeda e do Taleban em seu território. A maior parte da violência é registrada perto da fronteira com o Afeganistão, mas o ataque de ontem ocorreu nas proximidades dos limites do país com a Índia.

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