Ataque a shopping no Quênia deixa ao menos 39 mortos

Um ataque de insurgentes somalis contra um shopping de luxo na capital do Quênia deixou pelo menos 39 mortos e 150 feridos neste sábado, segundo informou o governo local. O grupo islâmico al-Shabab assumiu a autoria do atentado, que seria uma retaliação pelo envio de tropas quenianas para ajudar o governo da Somália a conter os rebeldes.

AE, Agência Estado

21 Setembro 2013 | 19h05

Os terroristas escolheram como alvo o shopping Westagate Mall, que fica na rica região de Westlands. O centro de compras, cujos proprietários são israelenses, é frequentado por expatriados e quenianos ricos. Em contas na rede de microblogs Twitter, o grupo diz que o governo queniano tentou negociar com os membros que estão dentro do shopping, mas que "não haverá negociação". O al-Shabab afirma que o número de mortos passa de 100, mas essas informações geralmente são exageradas.

"O ataque ao Westgate Mall é apenas uma pequena fração do que os muçulmanos da Somália experimentaram nas mãos dos invasores quenianos. Por muito tempo nós travamos uma guerra contra os quenianos na nossa terra, agora é hora de mudar o local da batalha e levar a guerra para a terra deles", disse o al-Shabab no Twitter.

Segundo informações de testemunhas, no atentando deste sábado os insurgentes permitiram que muçulmanos saíssem do shopping antes do ataque. "Os homens armados disseram para os muçulmanos levantarem e saírem, porque eles estavam seguros e os não muçulmanos seriam o alvo", conta Elijah Kamau, que estava no local na hora do ataque. O empresário israelense Eran Ochayon disse que os terroristas obrigavam as pessoas a citar os diversos nomes de Alá para provarem que eram muçulmanos. Ele anotou alguns desses nomes na mão e jogo seu passaporte longe para poder se salvar.

De acordo com a polícia, pelo menos dez homens armados abriram fogo e lançaram granadas dentro do Westgate Mall. O atentando ocorreu durante um evento que celebrava o Dia das Crianças. No fim de 2011, o grupo al-Shabab prometeu realizar um grande atentado em Nairóbi, em retaliação ao fato do Quênia ter enviado tropas para ajudar o governo da Somália a combater os insurgentes.

O escritório do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, disse que ele conversou com o presidente queniano, Uhuru Kenyatta, e expressou sua preocupação. Enquanto isso, o Departamento de Estado dos EUA condenou o "ato sem sentido de violência", que teria deixado norte-americanos feridos.

O presidente queniano disse que perdeu "familiares muito próximos" no ataque. Segundo Kenyatta, a coragem e compaixão de diversas pessoas que estavam no shopping ajudou a salvar centenas de vidas. De acordo com ele, até o início da noite (no horário de Brasília) as forças de segurança ainda estavam respondendo ao ataque. O presidente explicou que a operação é delicada e a prioridade é proteger a vida das pessoas que ainda são mantidas reféns, nove horas após o início do ataque.

Pessoas que conseguiram sair do shopping disseram que estavam trocando mensagens de texto com outros que permaneceram dentro do complexo, com informações sobre onde exatamente estavam os terroristas e o que eles querem. Helicópteros da polícia sobrevoam o local e o governo diz que a situação está sob controle e que as forças de segurança já controlam a maior parte dos andares do shopping.

O presidente da Somália, Hassan Sheikh Mohamud, expressou condolências às vítimas do atentado. "Esses atos cruéis contra civis indefesos, incluindo crianças inocentes, não podem ser tolerados. Nós estamos lado a lado com o Quênia nessa hora de lamento pelas vidas perdidas e os muito feridos", afirmou.

O atentado começou pouco após o meio-dia (no horário local), quando homens armados e vestidos com coletes dispararam granadas e usaram armas de fogo contra os clientes de uma cafeteria que fica do lado de fora do shopping. As centenas de pessoas que estavam no shopping ouviram os tiros e correram para se esconder dentro de lojas, em banheiros e até em agências bancárias.

Esse é o maior atentado no Quênia desde o ataque à bomba contra a embaixada dos EUA em Nairóbi, em 1998, que deixou mais de 200 mortos. Fonte: Associated Press.

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