Michael Probst/AP
Michael Probst/AP

Suspeito de comandar ataque a tiros na Alemanha é encontrado morto

Corpo do suspeito teria sido encontrado pela polícia em sua própria casa, ao lado de outro cadáver; Promotoria Federal alemã vai assumir o caso

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2020 | 20h20
Atualizado 20 de fevereiro de 2020 | 07h40

BERLIM - A polícia informou que o suspeito dos dois ataques a tiro que deixaram pelo menos 9 mortos na Alemanha foi encontrado morto na madrugada desta quinta-feira, 20. O homem estaria em sua casa, ao lado de outra pessoa morta. De acordo com fontes próximas à investigação, uma carta de confissão e um vídeo foram encontrados.

A Promotoria Federal antiterrorismo da Alemanha anunciou que vai assumir as investigações, em meio a especulações de que o ataque possa ter sido motivado por razões xenófobas. O próprio Ministro do Interior do Estado de Hesse chegou a afirmar que essa teria sido a motivação do crime. O escritório da Promotoria Federal em Karlsruhe anunciou que convocará uma coletiva de imprensa ainda nesta quinta-feira para dar alguns esclarecimentos sobre o crime.

Com os dois corpos encontrados pela polícia, chega a onze o número de mortos nos eventos iniciados na quarta-feira, 19. De acordo com a imprensa local, um ou dois agressores teriam feito os disparos a partir  de um carro em movimento contra bares no centro da cidade Hanau, próxima a Frankfurt, na Alemanha, por volta das 22 horas (18 horas em Brasília).

Apesar da falta de confirmações oficiais até o momento, a agência de notícias alemã DPA noticiou que a polícia está examinando um vídeo que o suspeito teria publicado online dias antes do ataque. Nele, o suspeito detalharia teorias da conspiração sobre abuso de crianças nos Estados Unidos. A autenticidade do vídeo não pode ser imediatamente verificada.

Pelo menos nove pessoas morreram e outras cinco ficaram gravemente feridas na noite de quarta-feira, 19, durante os ataques. O autor, ou autores, dos tiros tinham como alvo bares de narguilé. O primeiro ataque foi contra um bar no centro da cidade. Várias testemunhas citadas pela imprensa local disseram ter ouvido cerca de dez tiros.

Em seguida, os responsáveis pela ação deixaram o local de carro e, segundo a polícia, foram à Praça Kurt-Schumacher, no Distrito de Kesselstadt. Nesse local, ocorreu o segundo ataque. A polícia mobilizou uma busca "em grande escala" para capturar o responsável pelos ataques.

"Foi uma noite terrível que certamente nos ocupará por muito, muito tempo e vamos nos lembrar com tristeza", disse o prefeito de Hanau, Claus Kaminsky, ao jornal Bild. A parlamentar Katja Leikert, membro do partido de Angela Merkel que representa Hanau no parlamento alemão, twittou que era "um cenário de horror real para todos nós".

Ataques extremistas

Nos últimos anos, a Alemanha foi alvo de vários ataques de extremistas, um dos quais matou 12 pessoas em Berlim em dezembro de 2016. Mas o que mais preocupa as autoridades alemãs é a ameaça de terrorismo de extrema direita, especialmente desde o assassinato, em junho, de um deputado alemão do partido da chanceler Angela Merkel favorável a migrantes.

Na sexta-feira passada, 12 membros de um grupo de extrema direita foram presos como parte de uma investigação antiterrorista. Acredita-se que eles planejaram ataques em larga escala contra mesquitas, inspirados nos atentados de Christchurch, na Nova Zelândia.

Em outubro, um homem ligado à  extrema direita tentou atacar uma sinagoga em Halle. Como não conseguiu entrar no edifício religioso onde os fiéis haviam se entrincheirado, atirou em um pedestre e no cliente de um restaurante de kebab, transmitindo toda a ação ao vivo pela internet.

Em Dresden, oito neonazistas foram julgados por quase cinco meses por planejar ataques contra estrangeiros e políticos.

Atentados são raros, mas não incomuns

Por outro lado, atentados a tiros são raros na Alemanha. Em julho de 2016, um atirador realizou ataques consecutivos em Munique, espalhando pânico pelas ruas da cidade. Os disparos começaram em uma lanchonete McDonald’s próxima do shopping Olympia-Einkaufszentrum. 

As autoridades disseram que o responsável era um único atirador Ali David Sonboly, de 18 anos, de origem iraniana, que suicidou-se em seguida. Com uma pistola Glock, ele matou dez pessoas e deixou outras dez feridas. 

Na ocasião, o ataque foi considerado um dos piores da história da Alemanha, mais grave até do que o atentado de 1986, quando agentes líbios plantaram uma bomba em uma discoteca de Berlim, matando 3 pessoas e ferindo 231. 

O tiroteio de Munique ocorreu dias depois de um adolescente afegão ferir quatro pessoas ao atacar passageiros de um trem com um machado na cidade de Wurzburg – o Estado Islâmico reivindicou o atentado. 

Terror no passado

A ação terrorista mais famosa realizada na Alemanha foi o massacre durante os Jogos Olímpicos de Munique, em 1972. Na ocasião, a quase desconhecida organização terrorista Setembro Negro conseguiu driblar a segurança da Vila Olímpica e entrar nos alojamentos da equipe israelense, matando dois atletas e tomando outro nove como reféns, na tentativa de libertar 200 prisioneiros palestinos presos em Israel. 

Todos os reféns, cinco dos oito terroristas e um policial da Alemanha Ocidental morreram na tentativa de resgatar os atletas. A tragédia, conhecida como “O Massacre de Munique”, quase provocou o cancelamento dos Jogos. Depois de um dia de suspensão para as homenagens aos mortos, acompanhadas no Estádio Olímpico por 80 mil espectadores, o presidente do COI, Avery Brundage decidiu pela continuidade da Olimpíada. / REUTERS, AP e AFP

 

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