Morteza Jaberian / Isna / AFP
Morteza Jaberian / Isna / AFP

Ataque a tiros deixa 25 mortos durante desfile militar no Irã

Presidente iraniano prometeu uma resposta 'esmagadora' a qualquer ameaça; ministro acusa um 'regime estrangeiro', apoiado pelos Estados Unidos, como responsável pelo atentado

O Estado de S.Paulo

22 Setembro 2018 | 03h55
Atualizado 22 Setembro 2018 | 17h23

TEERÃ - Um ataque a tiros contra um desfile militar na cidade de Ahvaz, no sul do Irã, deixou pelo menos 25 mortos, entre militares e civis, e mais de 60 feridos neste sábado, 22. O presidente do país, Hassan Rohani, culpou estrangeiros pelo atentado e prometeu uma resposta “esmagadora”. Quatro terroristas foram mortos.

Um movimento de oposição árabe chamado Resistência Nacional Ahvaz, que busca um Estado separado na Província de Khuzistão, rica em petróleo, reivindicou a responsabilidade pelo ataque. O Estado Islâmico (EI) também assumiu a autoria da ação, segundo a Amaq, agência de notícias do grupo terrorista. O Irã é aliado do regime sírio, que combate os últimos focos militares do grupo radical islâmico, assim como rebeldes apoiados pelos EUA. 

“Há várias vítimas não militares, incluindo mulheres e crianças que vieram assistir ao desfile”, disse uma fonte oficial não identificada à agência de notícias Irna. “Três dos terroristas foram mortos no local e um quarto que ficou ferido morreu no hospital", disse o general de brigada Abolfazl Shekarchi, porta-voz das Forças Armadas iranianas. Metade das vítimas dos terroristas eram da Guarda Revolucionária.

O presidente Rohani disse que “a resposta do Irã para qualquer ameaça será esmagadora”. O líder do país ressaltou que “os aliados dos terroristas devem responder” por esse massacre, sem identificar quem acusava. Rohani ordenou ao Ministério de Inteligência que empregue todos os esforços para identificar os terroristas e seus mandantes.

O ministro iraniano de Relações Exteriores, Mohamad Javad Zarif,acusou os Estados Unidos de participação no ataque. “Terroristas recrutados, treinados, armados e pagos por um regime estrangeiro atacaram Ahvaz. O Irã considera que os patrocinadores regionais do terrorismo e seus professores americanos são responsáveis por tais ataques”, escreveu em seu perfil no Twitter. “O Irã responderá de forma rápida e decisiva em defesa das vidas iranianas”, acrescentou Zarif.

Ali Hosein Hoseinzadeh, vice-governador da Província de Khuzistão, cuja capital é Ahvaz, disse que o número de mortos tende a aumentar, uma vez que alguns dos feridos encontram-se em estado grave. Entre as vítimas estaria um jornalista.

A Guarda Revolucionária acusou os agressores de estarem ligados a um grupo separatista árabe apoiado pela Arábia Saudita. “Os tiros foram conduzidos por vários atiradores que estavam atrás do desfile”, informou uma correspondente da rede estatal de televisão. A Guarda, a força militar mais poderosa do país, também desempenha um papel importante nos interesses regionais do Irã em países como Iraque, Síria e Iêmen.

Os agressores vestiam uniformes militares, segundo Gholamreza Shariati, governador do Khuzistão. Os disparos foram efetuados contra as unidades do Exército e da Guarda Revolucionária que desfilavam e contra o público a partir de um edifício próximo e por trás da tribuna das autoridades. O presidente russo, Vladimir Putin, disse que Moscou está pronto para impulsionar esforços conjuntos na luta contra o terrorismo. Ele também é aliado do ditador Bashar Assad na Síria.

O dia das Forças Armadas é um feriado que celebra o início da guerra entre Irã e Iraque (1980-1988). Em várias cidades, incluindo Teerã, são realizados desfiles militares após o discurso do presidente, Hassan Rohani. Neste ano, ele declarou que o país continuará a aumentar sua "capacidade defensiva", aludindo à produção de mísseis. O programa é o principal argumento dos EUA para terem deixado, com o apoio de Israel, o pacto nuclear firmado em 2015 com o regime iraniano. / REUTERS, EFE e AFP

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