Mykal McEldowney/The Indianapolis Star via AP
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Ataque a tiros que matou 8 em Indianápolis é o 45º nos EUA em 30 dias

Massacre ocorreu em instalação da FedEx em Indianápolis; segundo fontes, o suspeito, que se matou, tinha 19 anos e era ex-funcionário da empresa

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2021 | 04h07
Atualizado 16 de abril de 2021 | 19h36

INDIANÁPOLIS, EUA - Oito pessoas morreram e outras sete ficaram feridas, uma gravemente, em um ataque a tiros na cidade americana de Indianápolis, no Estado americano de Indiana, na quinta-feira, 15, à noite. O massacre ocorreu em uma unidade da empresa de logística FedEx, perto do aeroporto internacional da cidade.

O suspeito de abrir fogo, supostamente com um fuzil, cometeu suicídio quando a polícia chegou à instalação da FedEx, que emprega mais de 4 mil pessoas. Uma fonte policial identificou o atirador como Brandon Scott Hole, de 19 anos, e a FedEx disse que ele tinha sido seu funcionário.

No ano passado, a mãe do suspeito havia procurado as autoridades para informar seu temor de que ele pudesse tentar se matar, tomando alguma atitude que levasse um policial a atirar contra ele, revelou Paul Keenan, agente do FBI. Na ocasião, ele passou por avaliação mental e teve sua arma apreendida. 

O Departamento de Polícia Metropolitano de Indianápolis foi acionado por volta das 23h sobre um incidente envolvendo disparos de arma de fogo, segundo o relato da porta-voz Genae Cook. "Os policiais responderam (ao chamado), eles entraram e fizeram o seu trabalho. Muitos deles estão tentando encarar isso, porque esta é uma visão que ninguém deveria ver", disse. Nenhum policial foi ferido durante a ação.

Além dos mortos, a Polícia de Indiana confirmou que quatro pessoas precisaram ser levadas até o hospital, uma delas com ferimentos graves. Outras duas pessoas receberam atendimento no local e foram liberadas na sequência.

As autoridades disseram que estão tentando determinar a motivação. Algumas das vítimas não tinham sido identificadas, mas poderiam pertencer à comunidade de indianos sikh.

Durante a madrugada, antes da confirmação das mortes, o clima era de apreensão entre parentes de funcionários do FedEx, que aguardavam por informações. A pedido da polícia, os parentes receberam a indicação de ir a um hotel da cidade para esperar por notícias, uma vez que os funcionários foram conduzidos para prestar depoimento. Mais de 100 pessoas foram até o local, segundo a imprensa americana.

A FedEx prestou solidariedade aos parentes dos mortos e lamentou o incidente logo após o ataque. Nesta sexta, um porta-voz da companhia, Jim Masilak, solidarizou-se com as vítimas e suas famílias. "Estamos profundamente chocados e tristes pela perda dos membros da nossa equipe neste trágico ataque a tiros na nossa instalação em Indianápolis", disse. E completou: "Nossa mais sentida solidariedade a todos os afetados por esse insensível ato de violência".

Pelas redes sociais, a empresa também se posicionou, dizendo-se ciente do ataque e reafirmando a cooperação com as autoridades para solucionar o caso.

Uma emissora de televisão local entrevistou Jeremiah Miller, funcionário da empresa que estava no local no momento do ataque. Ele disse ter visto o momento em que o atirador começou a disparar. "Eu vi o homem com uma submetralhadora, ou um fuzil automático, e ele começou a atirar. Eu imediatamente me abaixei, fiquei com medo", disse.

Em entrevista a um repórter da rede de televisão WRTV, um homem que estava no local no momento dos disparos disse que viu um corpo no chão. Outra testemunha relatou à Fox News que sua sobrinha, que estava dentro de um carro em um estacionamento próximo, foi levada a um hospital após levar um tiro no braço esquerdo.

Pelo menos três ataques a tiros foram registrados apenas em Indianápolis neste ano. Em março, um homem sequestrou a própria filha após uma discussão em casa e matou três adultos e uma criança. Antes, em janeiro, um outro ataque a tiros matou cinco pessoas, incluindo uma grávida.

Sequência de tiroteios

Os EUA foram cenário de vários ataques a tiros nas últimas semanas. No dia 9, uma pessoa morreu e várias ficaram feridas em uma loja de móveis no Texas, poucas horas após o presidente Joe Biden apresentar um plano para um maior controle no acesso a armas para combater a violência com armas de fogo.

Desde 16 de março, quando oito pessoas foram mortas em spas a tiros em Atlanta, os EUA tiveram pelo menos 45 ataques a tiros – com mortos ou feridos –, informou a CNN com base em uma análise de dados do Gun Violence Archive, a mídia americana e relatórios policiais. Quase 40 mil pessoas morrem a cada ano nos EUA vítimas de armas de fogo.

Em um comunicado, o presidente  disse que a violência com armas de fogo “fere a alma” dos EUA. “A violência com armas é uma epidemia nos EUA”, lamentou. “Não podemos aceitar isso. Precisamos agir, acrescentou Biden, pedindo ao Congresso que aprove leis de controle de armas.

Diante da dificuldade de obter medidas mais restritivas no Congresso, o presidente apresentou um plano limitado para prevenir a propagação as chamadas “armas fantasmas” – de fabricação artesanal –, que são impossíveis de rastrear quando utilizadas em um crime. 

Também propôs aumentar as regulamentações para os suportes projetados para estabilizar a arma no ombro. Biden anunciou que suas propostas são um ponto de partida e pediu ao Congresso que aprove as medidas, como o controle de antecedentes e o fim das vendas de fuzis de assalto.

Ações recentes 

No último dia 12, seis pessoas, incluindo um policial, foram baleadas em um ataque numa escola de segundo grau na cidade de Knoxville, no Estado do Tennessee. A polícia confirmou uma morte.

No dia 8, um homem abriu fogo em uma fábrica de marcenaria no Texas, onde trabalhava, matando uma pessoa e ferindo outras seis antes de ser levado sob custódia. 

Em Boulder, Colorado, 10 morreram em um supermercado  e quatro, incluindo um menino de 9 anos, em uma imobiliária em Orange, Califórnia.

A discussão sobre endurecimento de acesso a armamento é recorrente após episódios de massacres nos Estados Unidos. Desta vez, Biden é pressionado para dar respostas além da retórica política tradicional.

Como vice-presidente no governo Obama, ele foi encarregado de negociar com o Congresso um pacote para maior controle no acesso a armas em 2012, após o ataque dentro da escola Sandy Hook, em Connecticut, que matou 28 pessoas - 20 crianças com idades entre 6 e 7 anos./ AFP, AP, NYT E W.POST

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