EFE/EPA/Anton Raykhshtat
EFE/EPA/Anton Raykhshtat

Ataque a tiros deixa pelo menos nove mortos em escola na Rússia

Relatos da polícia russa apontam que dois adolescentes invadiram a escola e abriram fogo contra os estudantes; entre os mortos estão sete alunos, uma professora e uma funcionária da escola

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2021 | 06h02
Atualizado 11 de maio de 2021 | 18h13

MOSCOU - Nove pessoas morreram nesta terça-feira, 11, em um ataque a tiros contra uma escola em Kazan, capital da república russa de Tartaristão. A polícia atribuiu o ataque, um dos raros desse tipo na Rússia, a um jovem de 19 anos, que foi detido, mas não teve a identidade revelada. Entre os mortos estão sete alunos, uma professora e uma funcionária da escola. As autoridades disseram que outras 21 pessoas ficaram feridas, 6 em estado grave.

Segundo a mídia russa, o atirador é um ex-aluno da escola que se autodenominou “um deus” em sua conta do aplicativo de mensagens Telegram e prometeu “matar uma grande quantidade de biomassa” na manhã de hoje. 

“Eu estava na sala de aula quando um homem com uma arma de fogo invadiu nossa sala e simplesmente começou a atirar”, disse o estudante Akhmat Khairulin, acrescentando que os alunos se esconderam embaixo das carteiras sob a orientação do professor, embora um deles tenha pulado de uma janela. Imagens divulgadas por testemunhas mostram várias crianças ou adolescentes pulando das janelas do edifício de três andares para fugir. 

O governador da República do Tartaristão, Rustam Minnikhanov, afirmou que sete estudantes da oitava série, quatro do sexo masculino e três do sexo feminino, morreram. A professora assassinada, Elvira Ignatyeva, lecionava inglês na escola havia quatro anos, informou a agência  estatal Tass.

“O terrorista de 19 anos foi preso. Uma arma de fogo está registrada em seu nome. Outros cúmplices não foram identificados. Uma investigação está em andamento”, disse Minnikhanov, acrescentando que ainda não está claro qual foi o motivo do ataque.

Testemunhas relataram que ouviram uma explosão dentro da escola, seguida por muita fumaça. Uma professora confirmou que estava na aula, quando ouviu a explosão e o barulho de tiros.

Imagens exibidas por emissoras de televisão mostram dezenas de pessoas do lado de fora do centro de ensino, que foi isolado por policiais e bombeiros. Oficiais de polícia disseram que algumas crianças foram retiradas do prédio imediatamente, mas algumas foram mantidas no local. Medidas de segurança adicionais foram implementadas em todas as outras escolas de Kazan e dos arredores, segundo autoridades.

O Kremlin se pronunciou após o ataque à escola de Kazan. O porta-voz do governo russo, Dmitri Peskov, afirmou que o presidente Vladimir Putin ordenou que as regras de porte e posse de armas no país passem por uma revisão.

"O presidente ordenou que se elabore urgentemente um novo marco sobre o tipo de armas autorizadas para circulação entre a população civil, tendo em conta o modelo", disse Peskov.

Imagens e vídeos compartilhados nas redes sociais mostram supostamente a escola momentos após o ataque, com veículos do serviço de emergência estacionados em frente ao local e pessoas correndo em direção ao prédio. Outros vídeos mostram escombros dentro do edifício e supostos estudantes pulando das janelas em meio ao tiroteio.

O ataque mais letal em escolas na Rússia ocorreu em 2004 na cidade de Beslan, quando militantes islâmicos fizeram mais 1.000 pessoas como reféns por vários dias. O cerco terminou em tiros e explosões, deixando 334 mortos, mais da metade crianças.

Em 2018, um adolescente matou 20 pessoas em sua escola profissionalizante antes de se matar em Kerch, uma cidade na Península da Crimeia anexada à Rússia. Na sequência desse ataque, Putin ordenou às autoridades que aumentassem o controle sobre a posse de armas. Mas a maioria das mudanças legislativas propostas foi rejeitada pelo Parlamento, relatou o jornal Kommersant.

O legislador russo Alexander Khinshtein disse no Telegram que o suposto atirador em Kazan recebeu uma autorização para comprar uma arma há menos de duas semanas e a escola não tinha nenhuma segurança além de um botão de pânico. As autoridades não especificaram que tipo de arma o atacante usou, mas ordenaram verificações de todos os proprietários de armas.

Putin apresentou condolências às famílias das vítimas e ordenou ao governo que lhes desse toda a assistência necessária. As autoridades russas prometeram pagar às famílias das vítimas 1 milhão de rublos (cerca de R$ 70 mil) e entre 200 mil a 400 mil rublos (R$ 14 mil a R$ 28 mil) aos feridos./AP, AFP e REUTERS

 

Kazan é a capital da República do Tartaristão,  região de maioria muçulmana que integra a Federação da Rússia, e está localizada a cerca de 725 km a leste de Moscou./AP, AFP e Reuters 

Tudo o que sabemos sobre:
Rússiaataque a tirosKazan [Rússia]

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.