John Minchillo/AP Photo
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Atirador mata 9 e deixa 16 feridos em Ohio

Autor dos disparos foi morto pela polícia; trata-se do segundo ataque em massa nos EUA em menos de 24 horas

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de agosto de 2019 | 04h17
Atualizado 05 de agosto de 2019 | 18h24

OHIO, ESTADOS UNIDOS - Ao menos 9 pessoas morreram e 16 ficaram feridas em um ataque a tiros que ocorreu próximo ao centro de Dayton, em Ohio, neste domingo, 4. É o segundo ataque em massa nos Estados Unidos em menos de 24 horas. Segundo a Polícia, o autor dos disparos, morto por no local, foi identificado como um jovem branco de 24 anos. Entre as vítimas, estava sua irmã, de 22.  

O ataque começou por volta da 1h (hora local) no Distrito de Oregon. No twitter, Departamento de Polícia de Dayton afirmou que havia policiais nas imediações, e por isso foi possível responder com rapidez aos tiros. O Departamento também informou que o FBI está no local para ajudar nas investigações. 

Os feridos foram levados para o hospital local de Miami Valley, de acordo com a porta-voz Terrea Little. Ela não confirmou o estado de saúde dos atingidos. 

Segundo o Dayton Daily News, o ataque ocorreu em um estabelecimento chamado Ned Pepper's Bar. Uma nota dizendo que os membros da equipe estavam seguros apareceu na página do Instagram do bar e na página do Facebook do Hole in the Wall.

Imagens postadas na mídia social mostraram pessoas correndo enquanto dezenas de tiros ecoavam pelas ruas. 

O Distrito de Oregon é um bairro histórico perto do centro de Dayton, onde há bares, restaurantes e teatros. A polícia não disse o local exato dos tiros. 

O incidente aconteceu horas depois de um ataque a tiros em El Paso, no Texas, que deixou pelo menos 20 mortos. Na semana passada, um atirador matou três pessoas e feriu outras 13 em um festival gastronômico em Gilroy, Califórnia.

Investigações

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou que as investigações policiais sobre os massacres ocorridos neste fim de semana no Texas e em Ohio estão avançando rapidamente. Em publicação no Twitter, Trump disse que o FBI e autoridades estaduais e locais estão trabalhando conjuntamente tanto em El Paso (Texas) como em Dayton (Ohio). "A informação está sendo rapidamente acumulada em Dayton. Muito já foi aprendido em El Paso. A aplicação da lei foi muito rápida em ambos os casos. Atualizações serão dadas ao longo do dia!", escreveu.

Autoridades da Casa Branca informaram que Trump, que está passando o fim de semana em seu New Jersey Golf Club, seria atualizado sobre ambos os tiroteios ao longo do dia.

Histórico

Com forte histórico de massacres com armas de fogo, os Estados Unidos  somaram 172 mortes nos 10 massacres mais letais dos últimos dois anos. Confira a lista:

4 de agosto de 2019: Um atirador usando uma armadura matou nove pessoas em um bairro boêmio em Dayton, Ohio. O suspeito foi morto pela polícia.

3 de agosto de 2019: Um atirador abriu fogo em um shopping center em El Paso, Texas, matando 20 pessoas e ferindo mais de vinte. Um suspeito foi levado em custódia.

31 de maio de 2019DeWayne Craddock, trabalhador da cidade de Longtime, abriu fogo em um prédio que abriga escritórios governamentais em Virginia Beach. Ele matou 12 pessoas e feriu várias outras antes de ser morto pela polícia.

15 de fevereiro de 2019Gary Martin matou cinco colegas de trabalho em uma fábrica em Aurora, Illinois, durante uma reunião disciplinar na qual ele foi demitido. Ele feriu um outro funcionário e cinco dos primeiros policiais a chegarem à fábrica suburbana de Chicago antes de ser morto pela polícia durante uma troca de tiros. 

 7 de novembro de 2018: Ian David Long matou 12 pessoas em um bar de música country em Thousand Oaks, Califórnia, antes de tirar sua própria vida. Long era um veterano de combate que lutou na guerra do Afeganistão.

27 de outubro de 2018: Robert Bowers abriu fogo na sinagoga Tree of Life, em Pittsburgh, Pensilvânia, durante os cultos matinais do Shabat, matando 11 pessoas e ferindo outras. Foi o ataque mais mortal contra os judeus nos EUA. 

28 de junho de 2018: Jarrod Ramos disparou pelas janelas dos escritórios do jornal Capital Gazette em Annapolis, Maryland, matando cinco pessoas. As autoridades dizem que Ramos enviou cartas ameaçadoras ao jornal antes do ataque.

18 de maio de 2018: Dimitrios Pagourtzis abriu fogo em uma aula de arte na Santa Fé High School, em Santa Fé, no Texas, matando oito estudantes e dois professores. Explosivos foram encontrados na escola e fora do campus.

14 de fevereiro de 2018: Nikolas Cruz matou 17 estudantes e funcionários na Marjory Stoneman Douglas High School, em Parkland, na Flórida. O massacre ultrapassou o ataque de Columbine e se tornou o evento mais letal em uma escola secundária nos EUA. 

5 de novembro de 2017: Devin Patrick Kelley, que havia sido dispensado da Força Aérea após uma condenação por violência doméstica, usou uma arma de fogo estilo AR para atirar em uma congregação em uma pequena igreja em Sutherland Springs, Texas, matando mais de duas dúzias de pessoas. 

1º de outubro de 2017: Stephen Paddock abriu fogo contra um festival de música ao ar livre em Las Vegas, do 32º andar de um hotel-cassino, matando 58 pessoas e ferindo mais de 500.

Discursos

Os dois massacres reacenderam o debate sobre controle de armas e, dadas as supostas visões anti-imigração de um dos atiradores, levantaram a questão dos perigos do discurso de ódio.

Até agora, o controle de armas tem sido um tema predominantemente periférico na campanha dos Democratas para 2020. Alguns consideram o tema uma causa perdida, graças a anos de incidentes violentos com pouca resposta política de legisladores. O candidato democrata à presidência Joe Biden, no entanto, se manifestou sobre o caso no Twitter. "Já passou da hora de entrarmos em ação e acabarmos com nossa epidemia de violência armada", escreveu na rede social após o primeiro ataque. 

Autoridades estão investigando uma possível ligação entre o atirador de El Paso e um manifesto anti-imigração que começou a circular na internet logo após o massacre. Ao menos três vítimas do ataque eram mexicanas, disse o presidente mexicano André López Obrador em um vídeo no Twitter.

Líderes políticos democratas nos EUA que disputam a indicação do partido para a candidatura a presidente em 2020 responsabilizaram diretamente, em programas de TV neste domingo, o presidente americano, Donald Trump, pelos dois massacres que ocorreram neste fim de semana no país.

Trump lançou sua candidatura presidencial em junho de 2015 após associar imigrantes mexicanos a traficantes de drogas, criminosos e estupradores. Desde então, a retórica anti-imigração tem sido uma peça-chave da administração Trump. O presidente descreveu a fronteira sul como "um oleoduto para vastas quantidades de drogas ilegais, incluindo metanfetamina, heroína, cocaína e fentanil". Ele chamou membros de gangues de "animais" e enviou tropas para a fronteira sul para "deter a tentativa de invasão de ilegais". Ele também disse em tweets e em comícios que o país está "cheio".

 Nas últimas semanas, o presidente intensificou a retórica racial contra legisladores democratas em uma aparente tentativa de animar sua base para a eleição de 2020. Na semana passada, os líderes religiosos da Catedral Nacional em Washington - que tipicamente se mantêm longe da disputa política - disseram que as "violentas palavras desumanas" de Trump, que atacaram minorias, acarretam em conseqüências desastrosas. / Com informações das agências EFE, AP, New York Times, Bloomberg e Reuters.

 


 

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