Atirador que matou dois no centro de Toronto é identificado

Vítimas eram uma menina de 10 anos e uma jovem de 18; família do atirador afirmou que ele sofria de problemas mentais

O Estado de S.Paulo

23 Julho 2018 | 01h15
Atualizado 23 Julho 2018 | 21h42

TORONTO - A Polícia do Canadá identificou nesta segunda-feira, 23, o autor dos disparos que mataram duas pessoas e deixaram outras 13 feridas em Toronto na noite de ontem.  Faiçal Hussein, de 29 anos, teria sido o responsável pelo o ataque e morreu durante confronto com a Polícia. Não estava claro se ele foi morto por um disparo de um policial ou se teria se matado. 

Uma das vítimas de Hussein foi identificada como Reese Fallon, de 18 anos A outra seria uma menina de 10 anos que não teve o nome divulgado. As informações não foram confirmadas oficialmente pela Polícia do Canadá.

Em comunicado, a família do atirador expressou "sinceras condolências" aos parentes das vítimas. E chamou as ações de Houssein, que sofria de problemas mentais, de "horrorosas". "Nosso filho sofria graves problemas de saúde mental e lutou contra psicoses e depressão durante toda a vida. As intervenções de profissionais não tiveram sucesso", afirmou a família em nota.

"Embora tenhamos feito o que pudemos para buscar ajuda durante toda uma vida de luta e sofrimento, nunca pudemos imaginar que este seria seu devastador e destrutivo fim", continuou o comunicado.

A Polícia de Toronto informou que atendeu a uma chamada por volta das 22h (23h em Brasília) no distrito de Greektown. Um veículo de imprensa local citou uma fonte policial, segundo a qual o suspeito abriu fogo contra os agentes antes de se suicidar.

Testemunhas disseram que ouviram cerca de 20 disparos e o som de uma arma sendo recarregada várias vezes.

"Quando temos tantas pessoas feridas por um atirador, é algo sério", disse Saunders. "Estamos investigando todos as possíveis motivações e não excluímos nenhuma possibilidade." Um vídeo feito por testemunhas mostra o agressor, vestido de preto, disparando contra o restaurante.

O primeiro-ministro da Província de Ontário, Doug Ford, prestou solidariedade às vítimas em sua conta no Twitter. "Meu coração está com as vítimas e as famílias desse terrível ato de violência armada em Toronto. Obrigado a todos que responderam com rapidez e ajudaram os afetados."

O prefeito de Toronto, John Tory, advertiu que o ataque de domingo é "prova de um problema com as armas" na cidade. "As armas estão facilmente disponíveis para muitas pessoas", disse ele em uma entrevista coletiva duas horas após o incidente. "Temos de averiguar o que aconteceu aqui. Não sabemos."

Tory condenou no Twitter o ataque como "desprezível" e prestou solidariedade às famílias das vítimas. "Hoje, um ato desprezível aconteceu na avenida Danforth, em nossa cidade. Em nome de todos os moradores de Toronto, estou indignado que alguém possa ter cometido um ato tão terrível em nossa cidade e contra pessoas inocentes que se divertiam em uma noite de domingo", escreveu ele. 

Violência

Toronto é a maior cidade do Canadá e seus habitantes estão preocupados com o alto número de ataques a tiros registrados este ano. Cerca de 20 deles deixaram mortos. Historicamente, o país tem baixos índices de violência armada, principalmente se comparado aos altos números registrados nos EUA. 

Segundo dados divulgados pela polícia canadense, o total de mortes resultantes de confrontos armados subiu 53% desde janeiro em comparação ao mesmo período de 2017. A cidade registrou 177 ataques a tiros em 2014 e 395 em 2017. A corporação alega que o aumento de casos está relacionado a brigas de gangues locais.

Na semana passada, a Polícia de Toronto começou a implementar um plano para reduzir a violência com armas. A medida inclui um reforço de 200 agentes no turno de 19h às 3h em alguns dos bairros com maior número de ocorrências. / AFP, NYT, AP, EFE e REUTERS

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