Ivan Sekretarev/Reuters
Ivan Sekretarev/Reuters

Ataque abala plano eleitoral de Putin

Volta de premiê à presidência seria facilitada pela contenção do separatismo no Cáucaso

, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2011 | 00h00

MOSCOU - O ataque suicida que matou 35 pessoas no aeroporto mais movimentado da Rússia afetou seriamente o primeiro-ministro Vladimir Putin, que pretende voltar à presidência nas eleições de março do ano que vem. O premiê construiu sua imagem com base na contenção do separatismo e na segurança do país. Segundo analistas, o ataque mostra que ele, há mais de uma década no poder, está longe de derrotar os insurgentes.

A explosão no aeroporto de Moscou também foi uma ducha fria nas pretensões do presidente Dmitri Medvedev, que teve de adiar sua ida ao Fórum Econômico de Davos, na Suíça, onde tentaria obter mais investimentos externos para o setor energético da Rússia.

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"O ataque reforçará ainda mais a visão da elite russa de que Putin está perdendo o controle sobre a segurança na capital", disse Glen Howard, presidente da Fundação Jamestown, com sede em Washington. Ele acredita que os rebeldes planejam intensificar a violência até as eleições presidenciais.

De acordo com as primeiras investigações, as marcas do atentado Domodedovo apontam para a participação de militantes que lutam pela independência de Estados islâmicos no Cáucaso - embora não tenha ficado claro ainda a qual república separatista pertencia o homem-bomba. "A estratégia de lidar com as causas dos ataques terroristas falhou e os serviços de segurança do país fracassaram em conter os militantes", disse Matthew Clements, analista do Eurasia Group. "Os separatistas do norte do Cáucaso ampliaram os objetivos de suas operações e expandiram os ataques para outras partes da Rússia."

Campanha militar. Em 1999, Putin lançou uma violenta ofensiva na Chechênia para exterminar o governo separatista local. A campanha militar alcançou seu objetivo e o ajudou a chegar à presidência, meses depois. Mas desde então a insurgência se alastrou para as repúblicas vizinhas do Daguestão e da Ingushétia.

Em outubro, a Justiça da Rússia revelou que 246 ataques "terroristas" haviam sido realizados no Cáucaso de janeiro a setembro de 2010. Nesse período, 800 quilos de explosivos foram confiscados e 140 bombas, desativadas. O serviço de inteligência russo afirma que a onda de ataques insurgentes é crescente e tem a participação de redes islâmicas internacionais.

Além de um colcha de retalhos étnica, o Cáucaso é uma encruzilhada de interesses. Para EUA e Europa, a região é a garantia de acesso a um bolsão de petróleo e gás localizado na Ásia Central. Para Moscou, o território faz parte da Rússia e é uma chance de privar tradicionais rivais geopolíticos de importantes recursos naturais.

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