Evgeniy Maloletka/AP Photo
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Bombardeio russo na Ucrânia atinge hospital pediátrico e deixa ao menos 17 feridos

Presidente do país, Volodmir Zelenski escreveu no Twitter que havia 'pessoas, crianças sob os destroços' e chamou o ataque de 'atrocidade'

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de março de 2022 | 16h43

MARIUPOL, UCRÂNIA - Um hospital pediátrico foi alvo de um ataque russo à cidade de Mariupol, no sul da Ucrânia, nesta quarta-feira, 9. Ao menos menos 17 pessoas ficaram feridas, segundo o governo ucraniano. Ao menos um edifício do complexo hospitalar foi destruído. 

Vídeos do ataque obtidos pelo New York Times mostram dezenas de pessoas sendo retiradas do local. A quantidade das vítimas não ficou imediatamente clara. Também não ficou claro se a unidade estava em pleno funcionamento no momento do ataque ou se havia sido esvaziado antes. A cidade de Mariupol vive um cerco por tropas russas, mas na terça-feira autoridades ucranianas abriram um corredor humanitário para retirar civis de lá.  

O ataque foi outro exemplo aparente das táticas de cerco da Rússia atingindo a infraestrutura civil nas cidades ucranianas. Mariupol, um porto estratégico na costa do Mar Negro, foi alvo de ataques que inutilizaram o fornecimento de água, luz e energia.A cidade faz parte de um trecho vital de terreno que a Rússia está tentando capturar  e liga enclaves separatistas de Donetsk e Luhansk, com a Crimeia, a península que a Rússia tomou em 2014.

 

Repercussão

O governo ucraniano culpou a Rússia pelo ataque ao hospital, e testemunhas e uma agência de notícias local alegaram que foi causado por bombas lançadas por aviões de guerra russos. O presidente ucraniano Volodmir Zelenski escreveu no Twitter que havia “pessoas, crianças sob os destroços” e chamou o ataque de “atrocidade”.

A Casa Branca denunciou o "uso bárbaro da força" contra civis. "É terrível ver o uso bárbaro da força militar contra civis inocentes em um país soberano", disse a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, em entrevista coletiva. O ataque ocorreu em meio a esperança de retiradas em massa de civis de várias cidades ucranianas sitiadas, incluindo Mariupol, que está sem comida, água e energia há dias e que começou a enterrar corpos em uma vala comum porque seus necrotérios estão cheios.

“Há poucas coisas mais depravadas do que visar os vulneráveis e indefesos”, tuitou o primeiro-ministro britânico Boris Johnson, acrescentando que o presidente russo, Vladimir Putin, será responsabilizado “por seus crimes terríveis”.

Crateras e estilhaços

O ataque espalhou estilhaços e explodiu as janelas de vários prédios do Hospital Municipal nº 3, mostraram os vídeos. Uma cratera em um pátio entre os prédios parecia ter mais de 3 metros de profundidade.Testemunhas e informações de código aberto do Wikimapia identificaram os edifícios como uma clínica infantil, um departamento de oftalmologia e uma maternidade.

“Aviões atacaram a maternidade. Esses são os russos”, diz um homem que filma um dos vídeos.

O hospital parecia ser apenas um dos vários lugares no centro de Mariupol devastados pelo bombardeio. Outro vídeo filmado em área universitária, dois quarteirões a leste, mostrou grandes danos, incluindo janelas quebradas, no prédio da Câmara Municipal de Mariupol e na Universidade Técnica Estadual de Pryazovskyi.

Algumas das imagens parecem ter sido feitas por membros das forças de defesa territorial da Ucrânia e pela polícia local. /The New York Times, AFP e AP

 

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