Ataque aéreo de Israel contra Gaza mata 145 pessoas

Aviões de guerra israelenses conduziram hoje uma série de ataques aéreos sem precedente contra dezenas de complexos de segurança do grupo islâmico Hamas em Gaza, matando mais de 145 pessoas e ferindo outras 310. Os ataques provocaram pânico e confusão, com nuvens negras cobrindo Gaza. Alguns dos mísseis atingiram regiões densamente povoadas, onde crianças saíam das escolas. Na Cisjordânia, Mahmoud Abbas, presidente palestino, condenou a agressão e pediu moderação, segundo um assessor, Nabil Abu Rdeneh. Em um dos complexos atingidos do Hamas, corpos de mais de uma dúzia de oficiais de segurança uniformizados espalhavam-se pelo chão. Entre os mortos estava o chefe da polícia de Gaza. O Hamas, que violentamente tomou o controle de Gaza em junho de 2007, prometeu resposta e Israel recomendou aos civis próximos a Gaza que se protejam. O Egito abriu sua fronteira com Gaza para permitir que ambulâncias retirassem alguns dos feridos. Oficiais do Hamas disseram que todos os complexos de segurança em Gaza foram destruídos. A Rádio do Exército de Israel citou pelo menos 40 alvos. O ataque foi confirmado pelo Exército de Israel, que não deu detalhes. Israel tinha alertado nos últimos dias que responderia com firmeza se o Hamas continuasse atirando foguetes contra cidades na fronteira de Israel. "Faremos o que temos de fazer", disse um porta-voz do exército, Avi Benayahu. O Hamas disse que irá revidar com mais ataques de foguetes e enviando suicidas a Israel. "O Hamas continuará resistindo até a última gota de sangue", disse o porta-voz do grupo Fawzi Barhoum, na rádio de Gaza. O primeiro ataque foi conduzido próximo ao meio-dia local, quando crianças saíam da escola, e seguido por vários outros. Normalmente os complexos de segurança do Hamas ficam próximos a áreas civis. Várias pessoas correram para as regiões atingidas para ajudar a mover os feridos aos hospitais. As redes de televisão mostraram os hospitais de Gaza lotados de pessoas, enquanto civis traziam feridos em seus automóveis, vans e outros chegam em ambulâncias. "Estamos tratando das pessoas no chão, nos corredores. Precisamos de mais espaço. Não sabemos quem está aqui e quais são as prioridades", disse um médico no principal hospital da cidade.Relações conflituosas Israel deixou Gaza em 2005 após 38 anos de ocupação, mas a retirada não melhorou a relação do país com os palestinos no território como as autoridades israelenses esperavam. Ao invés disso, a retirada foi sucedida por aumento nos ataques de militantes contra comunidades na fronteira com Israel, provocando resposta do exército israelense. O último ataque de Israel, ocorrido entre o final de fevereiro e o início de março deste ano, levou ambos lados a propor um cessar-fogo, que durou seis meses e começou a ruir em novembro. Com 200 ataques de morteiros e mísseis contra a fronteira israelense desde que o cessar-fogo acabou, na semana passada, e 3 mil desde o início do ano, a pressão cresceu em Israel para uma ação militar. Os líderes israelenses fizeram várias ameaças nos últimos dias e consideram o Hamas responsável pela situação.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.