Ataque americano com míssil mata 12 no Paquistão

Exército afirma que vítimas são insurgentes; moradores dizem que mulheres e crianças estão entre os mortos

Agências internacionais,

12 de setembro de 2008 | 09h22

Enquanto a campanha dos Estados Unidos contra militantes da Al-Qaeda e do Taleban é intensificada nas regiões tribais do Paquistão, dois mísseis disparados por um suposto avião teleguiado americano matou 12 pessoas. O míssil atingiu uma casa na periferia de Miranshah, principal cidade da província do Waziristão do Norte. Este foi o quinto ataque deste tipo em duas semanas de combates aos militantes do Taleban ou da Al-Qaeda escondidos na montanhosa região tribal. Os 12 mortos eram apontados como rebeldes, segundo moradores da região. A casa teria sido alugada como escritório pela organização rebelde afegã Al Badar. Segundo o NYT, entre os mortos do incidente desta sexta estão mulheres e crianças, afirmaram moradores. Na quinta, forças de segurança paquistanesas mataram cerca de 100 rebeldes ligados à Al-Qaeda durante confrontos em Bajaur, perto da fronteira com o Afeganistão. O The New York Times informou que o presidente americano, George W. Bush, autorizou secretamente, em julho, que suas forças lançassem ataques no Paquistão, sem a permissão de Islamabad.  A fonte disse que Bush assinou uma ordem secreta durante o verão. O documento dá nova autoridade às forças de operações especiais dos EUA para atacar supostos extremistas na volátil fronteira do Afeganistão com o Paquistão. As operações de combate a supostos extremistas islâmicos são amplamente impopulares no Paquistão, onde o novo governo tenta ao máximo mostrar-se independente de Washington. O ex-presidente paquistanês Pervez Musharraf foi um aliado da Casa Branca no decorrer dos últimos anos.  A revelação irritou os militares paquistaneses e o primeiro-ministro do Paquistão, Yousuf Reza Gilani, apoiou as declarações do chefe militar do país, o general Ashfaq Parvez Kayani. O general disse na noite da quarta-feira que ações unilaterais dos EUA se arriscam a minar os esforços para combater o extremismo islâmico. Kayani disse que o Paquistão jamais autorizou ataques americanos em território paquistanês. Um ataque americano feito na semana passada na região de fronteira, mas já no lado paquistanês, matou 15 civis, denunciam moradores locais.  O ataque terrestre americano na semana passada em território paquistanês e os vários ataques de mísseis desfechados nos últimos dias por tropas americanas ou da coalizão contra militantes, ou supostos militantes, no Paquistão, demonstram a crescente impaciência dos EUA com o progresso paquistanês para derrotar os fundamentalistas. Estes contam com refúgios seguros no território da fronteira paquistanesa com o Afeganistão. Muitos paquistaneses culpam a aliança militar com os EUA pelo crescimento da violência no país, enquanto funcionários da inteligência americana desconfiam que o governo do Paquistão, ou pelo menos alguns dos seus funcionários, ajudam secretamente as redes de fundamentalistas - mantendo-os como uma cunha de ataque contra a arqui-rival Índia. Oficiais americanos já reconheceram que tropas doa EUA conduziram ações militares na província paquistanesa do Waziristão do Sul, mas não deram detalhes.

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