Ataque ao Irã está em planejamento, diz jornalista

O jornalista Seymour Hersh insistiu nesta segunda-feira que Washington quer se livrar pela força do atual regime iraniano e disse que a suposta ação militar dos Estados Unidos contra o Irã entrou em sua fase de planejamento operacional direta. Em declarações à rede BBC, o conhecido repórter americano explicou que muitos aliados dos Estados Unidos consideram que o Irã está entre dois e dez anos de conseguir uma bomba nuclear e que o objetivo real é a mudança de regime. "Não importa o que faça o Irã. Acho que, a curto prazo, alguns temem que o presidente (George W. Bush) decida passar para a ação, como ocorreu no Iraque", disse Hersh. Segundo o repórter, que já ganhou um prêmio Pulitzer, Bush crê ser a única pessoa capaz de atacar militarmente o Iraque: "Alguém me disse, e cito (na reportagem) que ele tem uma fé messiânica". Em artigo que será publicado no próximo número da revista The New Yorker, Hersh assegura que aumentaram as atividades clandestinas dos EUA no Irã ao mesmo tempo em que foi intensificado o planejamento de um ataque aéreo contra o país. O repórter também explicou que uma das opções do governo americano é o uso de armas nucleares táticas para destruir as instalações atômicas iranianas, que estão bem protegidas. Ele cita um ex-alto funcionário dos serviços de informação dos EUA, segundo o qual Bush e alguns de seus colaboradores na Casa Branca classificam o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, como um Adolf Hitler em potencial, capaz de provocar outra guerra Mundial. Em relação à afirmação do ministro britânico de Assuntos Exteriores, Jack Straw, de que os rumores sobre um eventual ataque nuclear dos EUA contra o Irã são "uma loucura", Hersh disse que é preciso questionar o número de informações recebidas pelos aliados europeus vindas de Washington. Especulações selvagens O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse nesta segunda-feira que a prevenção não implica necessariamente no uso da força, e que as informações sobre os supostos planos de Washington de atacar o Irã são "especulações selvagens". Prevenção "não significa necessariamente na força. Neste caso, significa diplomacia", disse o presidente na Escola de Estudos Internacionais da Universidade John Hopkins de Washington, em resposta a uma pergunta sobre as possibilidades que os EUA consideram para convencer o Irã a abandonar suas ambições nucleares. O objetivo de seu governo, disse, é conseguir que os iranianos não obtenham a capacidade ou o conhecimento necessários para ter armas nucleares. A forma de conseguir isso não implica necessariamente no uso da força, insistiu, sem entrar em detalhes nas informações publicadas por alguns meios de imprensa durante o fim de semana, segundo as quais os EUA estudam fazer ataques aéreos selecionados para pressionar Teerã. "O que estão lendo é simplesmente especulação selvagem", disse o presidente, insistindo em sua teoria de que o Irã faz parte do "eixo do mal", junto com o Iraque e a Coréia do Norte. O porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, rejeitou as conjeturas sobre as supostas intenções militares dos EUA contra o Irã, mas admitiu que o Pentágono realiza planos militares de contingência "normais" para fazer frente às ambições nucleares desse país. Sem confirmar ou desmentir as informações publicadas, McClellan disse que os que querem tirar conclusões de planos militares de contingência normais, estão "mal informados" sobre as intenções de Washington.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.