Ataque com mísseis atribuído aos EUA mata 9 no Paquistão

Escola religiosa ligada ao Taleba é atingida mesmo após ameaça contra ofensivas americanas sem autorização

Agência Estado e Associated Press,

23 de outubro de 2008 | 09h57

Mísseis aparentemente lançados pelos Estados Unidos atingiram uma escola religiosa ligada ao Taleban nesta quinta-feira, 23, no noroeste do Paquistão. A operação deixou nove pessoas mortas, segundo funcionários do setor de inteligência. O ataque ocorreu horas após o Parlamento paquistanês advertir sobre qualquer incursão estrangeira no solo nacional. Uma resolução aprovada na Casa também condenou a onda terrorista vivida pelo país, além de pedir o diálogo. "O extremismo, a militância e o terrorismo em todas suas formas de manifestação colocam em grave perigo a estabilidade e integridade da nação", apontou o texto. O Paquistão, que possui bomba atômica, enfrenta também uma crise econômica, com aumento no preço dos combustíveis, diminuição dos investimentos estrangeiros e crescente inflação, além da violência. Na quarta-feira, o Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou que o Paquistão pediu auxílio para evitar um possível calote. Shaukat Tareen, funcionário encarregado de negociar o auxílio ao país, disse que o Paquistão precisa de US$ 5 bilhões com urgência. Segundo ele, o governo espera ainda conseguir essa quantia de outras fontes, como o Banco Mundial, para evitar realizar um empréstimo do FMI. O ataque com mísseis desta quinta-feira atingiu Miran Shah, a principal cidade do Waziristão do Norte, segundo quatro funcionários do setor de inteligência que falaram sob condição de anonimato. No momento do ataque aparentemente não havia nenhum estudante presente. Segundo fontes dos funcionários na região, nove corpos foram retirados dos escombros e duas pessoas ficaram feridas. A escola religiosa pertence a um clérigo pró-Taleban, ligado ao veterano comandante do grupo fundamentalista Jalaluddin Haqqani, considerado pelos EUA um importante inimigo. Os militantes que atuam no noroeste do Paquistão são acusados por ataques contra as forças dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no vizinho Afeganistão. Além disso, ampliaram os ataques suicidas em território paquistanês. O governo paquistanês, há sete meses no poder, condena as operações unilaterais dos Estados Unidos. Já Washington evita tratar do tema, geralmente nem confirmando nem desmentindo ações desse tipo.

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