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Ataque contra academia de polícia mata 12 no Paquistão

Mais de 90 ficaram feridas em tiroteio; cerca de 700 cadetes estavam no local no momento do atentado

Agências internacionais,

30 de março de 2009 | 18h00

Um ataque coordenado contra uma academia de polícia no leste do Paquistão provocou nesta segunda-feira, 30, a morte de pelo menos 12 pessoas - seis agentes de segurança, três agressores e mais três homens cujos corpos ainda não foram identificados. Funcionários paquistaneses afirmam que mais de 90 pessoas ficaram feridas nos tiroteios. Cerca de 700 cadetes estavam no local no momento do ataque. Horas depois, forças paquistanesas de segurança dominaram os milicianos e retomaram o controle da academia, situada em Lahore. Os agressores chegaram a controlar a academia de polícia por quatro horas.

O ministro do Interior, Rehman Malik, disse que quatro militantes foram detidos vivos, um dos quais é afegão. Malik indicou que o Lashkar-i-Jhangvi, grupo sectário que atua no Punjab e tem vínculos com a rede terrorista Al-Qaeda, poderia ser o autor do ataque. No entanto, ele disse que os militantes eram combatentes leais a Baitullah Mehsud, um dos principais comandantes do Taleban paquistanês. Mehsud é acusado de envolvimento no assassinato da ex-premiê Benazir Bhutto, em dezembro de 2007.

 

Malik disse ainda que a integridade do Paquistão está "em perigo desta vez" e sugeriu que um país estrangeiro está interferindo nos assuntos internos do Paquistão, em possível alusão à Índia, inimiga de longa data. "Algum país rival, ou alguma agência hostil de inteligência tenta desestabilizar de maneira definitiva nossa democracia", acrescentou.

O secretário do Exterior da Índia, Shivshankar Menon, disse aos repórteres em Nova Délhi que seu país está "profundamente triste e chocado com os eventos desta segunda-feira em Lahore". O secretário do Exterior da Grã-Bretanha, David Miliband, condenou o ataque em comunicado.

A Embaixada dos Estados Unidos em Islamabad emitiu um alerta aconselhando os cidadãos americanos a evitarem viagens a Lahore e à fronteira com a Índia. O ataque ocorre menos de um mês depois de uma emboscada contra a seleção de críquete do Sri Lanka no coração de Lahore e mais uma vez expõe o grau de ameaça representado por grupos armados locais ao governo do Paquistão, um aliado dos Estados Unidos dotado de armas nucleares.

Soldados do Exército e de outras forças de segurança cercaram a academia, na periferia da cidade, e trocaram tiros com os milicianos em cenas que lembraram os ataques de militantes islâmicos a alvos na cidade indiana de Mumbai (ex-Bombaim) em novembro do ano passado.

Veículos blindados invadiram a academia enquanto helicópteros sobrevoavam o complexo. Diversos policiais tentaram escapar, alguns deles rastejando ao redor dos corpos de vítimas do ataque. A troca de tiros posterior ao ataque estendeu-se por cerca de oito horas e os invasores chegaram a manter 35 reféns, disse Rao Iftikhar, funcionário do alto escalão do governo de Punjab, província da qual Lahore é capital.

 

(Com The New York Times)

 

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