Ataque da Al-Qaeda à Grã-Bretanha é "inevitável", diz Blair

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, disse ser "inevitável" que a rede terrorista Al-Qaeda tente atacar seu país. Durante uma longa sessão de perguntas e respostas aos membros do Parlamento, Blair disse que, independentemente das precauções que forem adotadas, é impossível defender completamente o país dos terroristas. "Creio ser inevitável que a Al-Qaeda tente ´um ataque´ de uma ou de outra forma", disse Blair. "E isso podemos perceber através da evidência obtida nas recentes prisões. A rede terrorista está aqui, do mesmo jeito que está ao redor do mundo", acrescentou. "Temos de preparar-nos da maneira mais razoável que pudermos, mas não existem limites às ameaças potenciais que os senhores possam imaginar", disse o premier ao influente Comitê de Compromisso da Câmara dos Comuns. O governo de Blair lançou várias advertências de que a Grã-Bretanha poderia ser alvo dos terroristas após os ataques de 11 de setembro. O primeiro-ministro disse ao Legislativo na semana passada que "poucas vezes se passa um dia" sem que se receba uma advertência sobre ameaças a interesses britânicos.Em novembro, o governo emitiu - e logo retirou apressadamente - uma declaração advertindo que a Al-Qaeda poderia fazer explodir prontamente uma bomba radioativa ou algum tipo de gás venenoso. A advertência foi substituída por uma mais geral sobre ameaças terroristas. A polícia antiterrorista empreendeu uma série de buscas após decobrir traços do letal veneno ricina em um apartamento emLondres, em 5 de janeiro. O chefe de governo disse que a "primeira linha de defesa" da Grã-Bretanha era constituída pelos serviços de "segurança e inteligência"."Quanto ao resto, fazemos o que está ao nosso alcance e o fazemos sem alarmar a população", disse Blair, acrescentandoque nenhuma quantia de dinheiro poderia proteger totalmente opaís de um ataque."Gastamos centenas de milhões de libras tentando preparar-nos para qualquer ameaça terrorista potencial, com relação a vacinas, trajes de proteção, novos procedimentos, etc.", disse. "Poderíamos gastar dezenas de bilhões de libras fazendo isso, e ainda assim é possível que não conseguíssemos identificar de onde viria realmente o ataque", acrescentou.

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