Ataque da aviação israelense pode ter matado 55 civis

A Cruz Vermelha libanesa teme haver 55 mortos,incluindo muitas crianças e mulheres, na cidade de Qana, no sul do Líbano, após o bombardeio, neste domingo, da aviação israelense que atingiu um prédio de três andares.Informações iniciais da defesa civil libanesa diziam que pelo menos 32 pessoas tinham sido mortas, entre elas 14 crianças e 9 mulheres, no bombardeio da aviação israelense que atingiu o prédio em Qana. No prédio desta cidade situada a leste da localidade costeira de Tiro, viviam, além dos moradores habituais, várias famílias que abandonaram suas casas em outras cidades da região por medo dos intensos bombardeios da aviação de Israel.Líbano protestaO primeiro-ministro libanês Fouad Siniora reagiu imediatamente às mortes de dezenas de civis libaneses em Qana - que classificou de "novo massacre israelense" - afirmando que agora o Líbano "somente aceitará um cessar-fogo incondicional". Siniora fez esta declaração em entrevista coletiva após uma reunião com o presidente do Parlamento libanês, o xiita Nabih Berri, na qual exigiu também uma "investigação internacional" do grave incidente. "Lançamos um grito a todos os libaneses, aos árabes e à humanidade, para que estejam conosco contra os criminosos de guerra israelenses", disse o primeiro-ministro libanês. "A partir desta manhã só será aceitável um cessar-fogo incondicionale o início de uma investigação internacional", afirmou. Logo depois da declaração de Siniora, a emissora de TV libanesa Future informou que a secretária de Estado americana, CondoleezzaRice, não visitará o Líbano após sua atual visita a Israel, e que "Beirute suspendeu as negociações" sobre o conflito com o Estadojudeu até que se declare um cessar-fogo. O presidente do Líbano, Émile Lahoud,qualificou os ataques em Qana como uma "prova da barbárie israelense, apoiada por algumas potências".Um porta-voz do Exército israelense responsabilizou o Hezbollah pela morte de civis em Qana, argumentando que a cidade foi atacada porque o grupo utiliza o local como base de lançamento de foguetes contra Israel.Força de pazA Austrália foi convidada pelas Nações Unidas para participar de uma força de paz no sul do Líbano, disse neste domingo o ministro de Assuntos Exteriores australiano, Alexander Downer, em entrevista à emissora de TV Channel Nine.O governo australiano ainda não decidiu se participará da operação. Caso aceite o convite, sua contribuição será "muito limitada", afirmou Downer, que indicou ter discutido esse mesmo assunto com a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice."Fomos convidados pelas Nações Unidas e os americanos nos animaram a participar de uma reunião que acontecerá na segunda-feira, em Nova York, para discutir a possível composição da força multinacional de intervenção no sul do Líbano", disse o ministro australiano.Downer acrescentou que seu país estará representado nessa reunião pelo vice-chefe da Força de Defesa da Austrália. O governo da Austrália, um dos aliados dos EUA na Guerra do Iraque, considera que os culpados pela situação no Oriente Médio são o Hamas e o Hezbollah, organizações acusadas pelos australianos de querer eliminar o Estado de Israel por meio da violência.HezbollahO líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, afirmou no sábado que o grupo continua com grande capacidade militar e que pode lançar foguetes de longa distância contra posições mais avançadas das que atingiu até agora. No sábado, o Hezbollah disparou mais de 90 foguetes contra o território israelense.Em entrevista a redes de TV árabes, Nasrallah afirmou que Israel sofreu sérias derrotas no sul do Líbano, e que havia ficado claro que os israelenses "não conseguirão alcançar uma vitória militar".Texto atualizado às 06h13

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