Ataque da Otan mata 9 e fere 18 em área residencial de Trípoli

Regime de Kadafi acusa aliança de cometer 'barbáries' contra civis; organização admite 'engano'

AFP e Reuters, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2011 | 00h00

Pelo menos 9 pessoas morreram e outras 18 ficaram feridas após uma ação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em um bairro residencial de Trípoli, na madrugada do domingo.

De acordo com um porta-voz do regime líbio, uma casa de três andares, na qual viviam cinco famílias, foi destruída em um ataque a um bairro popular na zona leste de Trípoli. O governo de Muamar Kadafi acusa a aliança de cometer "barbáries" visando "deliberadamente a população civil" do país.

A Otan admitiu o bombardeio "por engano" e anunciou que investigará o incidente, que se segue a um ataque da aliança a combatentes rebeldes perto de Ajdabiya, no leste da Líbia, na quinta-feira, no qual 16 pessoas ficaram feridas também por engano. Ontem, pelo menos nove pessoas morreram em violentos combates entre tropas do regime líbio e forças rebeldes na região de Misrata.

Em nível diplomático, uma reunião de altos dirigentes da ONU, da União Europeia, da Liga Árabe, União Africana e da Organização da Conferência Islâmica insistiu sábado, no Cairo, na necessidade de "acelerar a abertura de um processo político que responda às aspirações legítimas do povo líbio".

A reunião destacou igualmente "a importância do papel da ONU" e de "aplicar inteiramente as resoluções 1970 e 1973 do Conselho de Segurança" - que autoriza "todas as medidas necessárias" para proteger os civis da repressão do regime de Kadafi.

Acordos. O ministro de Finanças e de Petróleo dos rebeldes líbios, Ali Tarhouni, disse que os insurgentes estão sem dinheiro, e acusa os países ocidentais de falta de apoio logístico e financeiro.

Tarhouni disse que a produção de petróleo nas cidades controladas pelos rebeldes está paralisada por causa dos danos causados pelo conflito. No entanto, o ministro disse estar confiante na reversão do quadro e disse já estar em negociação com grandes companhias petrolíferas ocidentais, com quem pretende lançar parcerias estratégicas.

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