Ataque da Otan mata civis afegãos

Bombardeio deixa 90 mortos e aumenta a insatisfação com as forças de coalizão que atuam no Afeganistão

KUNDUZ, AFEGANISTÃO, O Estadao de S.Paulo

05 de setembro de 2009 | 00h00

Aviões da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) bombardearam ontem dois caminhões-tanque que haviam sido capturados pelo Taleban no norte do Afeganistão, matando pelo menos 90 pessoas, incluindo insurgentes e civis que estavam no local para pegar combustível.

O ataque, que ocorreu na Província de Kunduz, pode provocar uma reação negativa da população afegã contra a Otan e os EUA. Inicialmente, a organização afirmou que acreditava haver somente militantes do Taleban entre os mortos. Mas, em seguida, admitiu que havia um grande número de vítimas civis.

Testemunhas disseram que as pessoas que estavam retirando combustível dos caminhões foram queimadas vivas no ataque. Funcionários de hospitais relataram que dezenas de civis com queimaduras sérias - entre eles três crianças - foram internados.

O presidente afegão, Hamid Karzai, ordenou uma investigação imediata sobre o ataque. "Nenhum civil deve ser atingido em ações militares. Ter civis como alvo não é aceitável sob nenhuma circunstância", disse.

Autorizada por um general alemão, a ofensiva - lançada com aviões F-15 dos EUA e bombas de 225 quilos - pode inflamar a revolta dos afegãos contra as forças da coalizão liderada pelos americanos.

A ação ocorre uma semana após o comandante dos EUA e da Otan no país, o general Stanley McChrystal, ter anunciado uma nova doutrina de Washington para a guerra. O principal ponto da nova estratégia é ganhar a confiança da população e reduzir o número de vítimas civis no conflito.

Em julho, um pacote com novas diretrizes já proibia os ataques aéreos em que civis estivessem em risco. Funcionários do governo de Kunduz afirmaram que metade dos mortos era de insurgentes.

Segundo o líder tribal Mohamed Sarwar, os taleban chamaram a população para pegar combustível. Aparentemente, eles queriam reduzir a carga do veículo, que estava atolado, para poder movê-lo novamente. "Culpamos tanto o governo como o Taleban pelas mortes", disse Sarwar.

No entanto, um porta-voz do Taleban, Zabihullah Mujahid, disse que os moradores foram até o local por vontade própria. Capturar caminhões-tanque vem sendo uma estratégia popular dos insurgentes, já que as forças da Otan dependem desses carregamentos. Peter Galbraith, funcionário da ONU em Cabul, disse que é preciso esclarecer "as razões do ataque".

AP E REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.