Ataque das Farc a posto policial deixa nove mortos na Colômbia

Exército e polícia teriam tantado impedir invasão, que deixou também mais cinco feridos

Claudia Jardim, BBC

08 de janeiro de 2011 | 07h42

CARACAS - Uma tentativa de ataque das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) a um posto policial em San Vicente del Caguán, no Departamento (Estado) de Caquetá, no sul colombiano, deixou nove mortos - cinco guerrilheiros, três militares e um civil.

De acordo com a imprensa local, um grupo das Farc tentou invadir o posto policial da cidade, onde a guerrilha mantém forte presença. Soldados da 6ª divisão do Exército teriam tentado impedir o ataque e houve enfrentamento entre soldados e guerrilheiros. Além dos nove mortos, outros quatro militares e mais um civil teriam ficado feridos após o tiroteio. Após a tentativa de ataque, o Exército e a Polícia reforçaram sua presença no local.

Este enfrentamento ocorre em meio à uma semana tensa, marcada por ataques na cidade de Neiva, no departamento de Huila, onde pelo menos cinco ataques à bomba foram registrados desde domingo passado. O impacto das explosões em Neiva afetou pelo menos 65. Não houve mortos. O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, responsabilizou as Farc pelos atentados e disse que são um sinal de "desespero" da guerrilha.

"Extorsões". De acordo com o governo, os ataques podem ser retaliações da guerrilha contra moradores que teriam se negado a pagar "extorsões" ao grupo.

Em uma mensagem de ano novo dirigida a rebeldes e colaboradores da guerrilha, o mais alto líder das Farc, Alfonso Cano, afirmou que o grupo começa 2011 com a expectativa de uma "solução política para o conflito" armado colombiano, que dura mais de seis décadas e, advertiu, que a guerrilha "redobrará" suas atividades neste ano.

"Em 2011 redobraremos atividades em todo sentido, com a força que nos proporcionam nossas convicções", afirmou Cano, por meio de um comunicado lido por ele, divulgado pela agência de notícias Anncol.

Cano, que assumiu a liderança do grupo depois da morte de Manuel Marulanda, líder fundador das Farc, pediu observar com especial atenção aos projetos de indenização de vítimas do conflito e de restituição de terras do governo de Juan Manuel Santos. Cano afirma que forem levados adiante, poderiam desatar "um processo de reconciliação no país baseado na verdade".

Latifúndio. O líder das Farc disse que para isso é necessário acabar com "o latifúndio que cresce como um câncer" na Colômbia. Por outro lado, Cano diz duvidar que o atual Congresso colombiano formado por "parapolíticos" esteja interessado em implementar um plano de reforma agrária para restituir terras a camponeses expulsos durante o conflito.

As Farc, que defendem um acordo humanitário para a troca de reféns por guerrilheiros presos - dizem começar o ano apostando neste intercâmbio. Até agora, o governo de Juan Manuel Santos tem apostado na saída militar e não negociada para o conflito.

O presidente se recusa a negociar o acordo humanitário e tem apostado na deserção de guerrilheiros para enfraquecer a estrutura militar das Farc, o maior grupo armado colombiano.

 

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