Reprodução/via Reuters
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Ataque de drones na Arábia Saudita atinge maior campo de petróleo do mundo

Autoria foi reivindicada pelo grupo rebelde Houthi, do Iêmen, aliado ao Irã; fontes afirmam que produção e exportação de petróleo saudita foram interrompidas

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2019 | 03h52
Atualizado 15 de setembro de 2019 | 19h15

DUBAI - Um ataque de drones atingiu a maior instalação de processamento de petróleo do mundo na Arábia Saudita, na madrugada deste sábado, 14. De acordo com o Ministério do Interior saudita, além da instalação, um campo de petróleo em atividade também foi atingido.

As duas instalações eram operadas pela Saudi Aramco, empresa estatal saudita, uma das gigantes da indústria do petróleo, nas cidades de Buqyaq e Khurais. 

Vídeos online que mostram a situação nas instalações em Buqyaq registraram o som de tiros ao fundo e chamas saindo da instalação de processamento de petróleo.

Em comunicado, a agência de notícias do governo saudita informou que os ataques ocorreram por volta das 4h do sábado (22h de sexta-feira, horário de Brasília) e que a equipe da Aramco conseguiu conter os focos de incêndio. Não houve confirmação de feridos no ataque.

Não houve pronunciamento oficial sobre o impacto do ataque na produção de petróleo saudita, apesar da TV estatal ter afirmado que as exportações não foram afetadas.

Porém, à Agência Reuters, três fontes familiares com o assunto confirmaram que tanto a produção quanto a exportação de petróleo do país foram interrompidas neste sábado. Uma das fontes especificou que o impacto na produção é de 5 milhões de barris por dia, quase metade da exportação atual da Arábia Saudita.

O grupo rebelde Houthis, do Iêmen, aliado ao governo do Irã, reivindicou mais tarde a autoria do ataque, informando que dez drones atingiram as instalações. Já havia a suspeita de que o grupo seria o responsável.

O ataque provavelmente aumentará as tensões em todo o Golfo Pérsico, em meio a um confronto entre os EUA e o Irã por causa de seu acordo nuclear com as potências mundiais.

Khurais fica a mais de 800 km de distância do território rebelde no Iêmen dominado pelos Houthis, o que mostra a habilidade do grupo em ordenar ataques sofisticados a longa distância em território saudita.

Desde 2015, uma coalizão liderada pela Arábia Saudita luta contra o grupo rebelde. Os Houthis, com o apoio do Irã, mantêm o domínio sob a capital do Iêmen, Sanaa, e outros territórios no país mais pobre do mundo árabe.

O grupo já utilizou drones e mísseis em outros ataques na Arábia Saudita, sob a justificativa de retaliação à invasão militar saudita no Iêmen.

No mês passado, os Houthis reivindicaram a autoria de um ataque a drones no campo petrolífero de Shaybah, próximo a fronteira com os Emirados Árabes. O incêndio não deixou feridos.

Alvo valioso

A Saudi Aramco descreve sua instalação de processamento de petróleo Abqaiq, em Buqyaq - distante cerca de 330 quilômetros da capital saudita, Riad - como a maior instalação de estabilização de petróleo bruto do mundo. O centro de processamento transforma petróleo cru em petróleo refinado e transporta-o para pontos de transbordo no Golfo Pérsico e no Mar Vermelho.

Estimativas sugerem que o campo atingido pode processar até 7 milhões de barris de petróleo por dia. 

A instalação já havia sido alvo de ataques no passado. Atentados suicidas alegados pela Al-Qaeda tentaram, mas falharam, em atacar o complexo petrolífero em fevereiro de 2006. 

Não houve impacto imediato nos preços globais do petróleo, uma vez que os mercados foram fechados no fim de semana em todo o mundo. O petróleo Brent de referência estava sendo negociado a pouco mais de US $ 60 por barril.

A guerra no Iêmen

Os atentados sob autoria dos Houthis, incluindo em aeroportos civis e instalações de petróleo, têm se itensificado nos últimos meses, levando a acusações de que o Irã estaria mobilizando os rebeldes a iniciar uma nova ofensiva militar.

Atualmente, as relações de Teerã com os adversários regionais e seus aliados no ocidente aumentaram, incluindo a Arábia Saudita. Os Houthis reconhecem sua aliança com o Irã, mas negam que agem sob as ordens de Teerã.

Neste sábado, um porta-voz do grupo disse no canal de TV rebelde Al-Masirah que os ataques contra a Arábia Saudita iriam aumentar e se tornar “mais dolorosos, enquanto a agressão e cerco (sauditas) continuarem”.

O conflito civil no Iêmen, iniciado em 2014, após a tomada de Sanaa pelos Houthis e a deposição do governo, é visto como uma guerra entre a Arábia Saudita e o Irã.

O confronto deu origem a um dos maiores desastres humanitários do mundo, com a morte de quase 100 mil pessoas, de acordo com estimativas recentes. Até o momento, esforços diplomáticos da ONU para tentar reposicionar o antigo governo falharam. / AP, W. POST e Reuters

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