Ataque de drones na Arábia Saudita atinge maior campo de petróleo do mundo

Autoria foi reivindicada pelo grupo rebelde Houthi, do Iêmen, aliado ao Irã; fontes afirmam que produção e exportação de petróleo saudita foram interrompidas

Redação - O Estado de S.Paulo

Você pode ler 5 matérias grátis no mês

ou Assinar a partir de R$1,90

Você pode ler 5 matérias grátis no mês

ou Assinar a partir de R$1,90

Você leu 4 de 5 matérias gratuitas do mês

ou Assinar a partir de R$1,90

Essa é sua última matéria grátis do mês

ou Assinar a partir de R$1,90

DUBAI - Um ataque de drones atingiu a maior instalação de processamento de petróleo do mundo na Arábia Saudita, na madrugada deste sábado, 14. De acordo com o Ministério do Interior saudita, além da instalação, um campo de petróleo em atividade também foi atingido.

Refinaria de Buqayq, Arábia Saudita, pegou fogo após ataque Foto: Reprodução/via Reuters

As duas instalações eram operadas pela Saudi Aramco, empresa estatal saudita, uma das gigantes da indústria do petróleo, nas cidades de Buqyaq e Khurais. 

Vídeos online que mostram a situação nas instalações em Buqyaq registraram o som de tiros ao fundo e chamas saindo da instalação de processamento de petróleo.

Em comunicado, a agência de notícias do governo saudita informou que os ataques ocorreram por volta das 4h do sábado (22h de sexta-feira, horário de Brasília) e que a equipe da Aramco conseguiu conter os focos de incêndio. Não houve confirmação de feridos no ataque.

Não houve pronunciamento oficial sobre o impacto do ataque na produção de petróleo saudita, apesar da TV estatal ter afirmado que as exportações não foram afetadas.

Porém, à Agência Reuters, três fontes familiares com o assunto confirmaram que tanto a produção quanto a exportação de petróleo do país foram interrompidas neste sábado. Uma das fontes especificou que o impacto na produção é de 5 milhões de barris por dia, quase metade da exportação atual da Arábia Saudita.

O grupo rebelde Houthis, do Iêmen, aliado ao governo do Irã, reivindicou mais tarde a autoria do ataque, informando que dez drones atingiram as instalações. Já havia a suspeita de que o grupo seria o responsável.

Fumaça é vista depois de um disparo na instalação da Saudi Aramco em Abqaiq, na Arábia Saudita Foto: VIDEOS OBTAINED BY REUTERS/via REUTERS

O ataque provavelmente aumentará as tensões em todo o Golfo Pérsico, em meio a um confronto entre os EUA e o Irã por causa de seu acordo nuclear com as potências mundiais.

Khurais fica a mais de 800 km de distância do território rebelde no Iêmen dominado pelos Houthis, o que mostra a habilidade do grupo em ordenar ataques sofisticados a longa distância em território saudita.

Desde 2015, uma coalizão liderada pela Arábia Saudita luta contra o grupo rebelde. Os Houthis, com o apoio do Irã, mantêm o domínio sob a capital do Iêmen, Sanaa, e outros territórios no país mais pobre do mundo árabe.

O grupo já utilizou drones e mísseis em outros ataques na Arábia Saudita, sob a justificativa de retaliação à invasão militar saudita no Iêmen.

No mês passado, os Houthis reivindicaram a autoria de um ataque a drones no campo petrolífero de Shaybah, próximo a fronteira com os Emirados Árabes. O incêndio não deixou feridos.

Fumaça é vista já durante o dia no campo de petróleo da Aramco em Buqyaq, Arábia Saudita, após ataque de drones de grupo rebelde do Iêmen Foto: AFP

Alvo valioso

A Saudi Aramco descreve sua instalação de processamento de petróleo Abqaiq, em Buqyaq - distante cerca de 330 quilômetros da capital saudita, Riad - como a maior instalação de estabilização de petróleo bruto do mundo. O centro de processamento transforma petróleo cru em petróleo refinado e transporta-o para pontos de transbordo no Golfo Pérsico e no Mar Vermelho.

Estimativas sugerem que o campo atingido pode processar até 7 milhões de barris de petróleo por dia. 

A instalação já havia sido alvo de ataques no passado. Atentados suicidas alegados pela Al-Qaeda tentaram, mas falharam, em atacar o complexo petrolífero em fevereiro de 2006. 

Não houve impacto imediato nos preços globais do petróleo, uma vez que os mercados foram fechados no fim de semana em todo o mundo. O petróleo Brent de referência estava sendo negociado a pouco mais de US $ 60 por barril.

Imagem de 2008 mostra as instalações do campo de petróleo em Khurais, na Arábia Saudita, atingido por um ataque de drones reinvindicado por grupo rebelde do Iêmen Foto: Ali Haider/EFE/EPA

A guerra no Iêmen

Os atentados sob autoria dos Houthis, incluindo em aeroportos civis e instalações de petróleo, têm se itensificado nos últimos meses, levando a acusações de que o Irã estaria mobilizando os rebeldes a iniciar uma nova ofensiva militar.

Atualmente, as relações de Teerã com os adversários regionais e seus aliados no ocidente aumentaram, incluindo a Arábia Saudita. Os Houthis reconhecem sua aliança com o Irã, mas negam que agem sob as ordens de Teerã.

Neste sábado, um porta-voz do grupo disse no canal de TV rebelde Al-Masirah que os ataques contra a Arábia Saudita iriam aumentar e se tornar “mais dolorosos, enquanto a agressão e cerco (sauditas) continuarem”.

O conflito civil no Iêmen, iniciado em 2014, após a tomada de Sanaa pelos Houthis e a deposição do governo, é visto como uma guerra entre a Arábia Saudita e o Irã.

O confronto deu origem a um dos maiores desastres humanitários do mundo, com a morte de quase 100 mil pessoas, de acordo com estimativas recentes. Até o momento, esforços diplomáticos da ONU para tentar reposicionar o antigo governo falharam. / AP, W. POST e Reuters

Tudo o que sabemos sobre:

Encontrou algum erro? Entre em contato